A Guarda Municipal de Londrina realizou uma oficina de defesa pessoal para 13 mulheres atendidas pelos serviços municipais de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar. A atividade ocorreu na noite de quinta-feira (24), na sede da Guarda Municipal, e faz parte de um projeto-piloto que poderá ser ampliado para outras mulheres da cidade.
A iniciativa foi organizada pela Secretaria Municipal de Defesa Social (SMDS), por meio da Guarda Municipal e da Guarda da Mulher, em parceria com a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM).
Durante a instrução, as participantes fizeram alongamentos e exercícios preparatórios e, depois, aprenderam técnicas de defesa pessoal e desvencilhamento. Entre os movimentos ensinados estavam formas de escapar de situações em que a mulher possa ser agarrada ou imobilizada pelos braços ou pelos cabelos.
Segundo as instrutoras, a proposta não é estimular o confronto, mas ensinar técnicas que permitam à mulher se proteger, criar uma oportunidade de afastamento e buscar ajuda em uma situação de perigo.
A atividade foi conduzida pelas guardas municipais Mileni Rodrigues, que pratica muay thai há 14 anos e atualmente também treina jiu-jitsu, e Patrícia Guimarães, que é educadora física.
Defesa pessoal como ferramenta de proteção
Patrícia Guimarães destacou que, além dos benefícios para a saúde física e mental, a atividade pode contribuir para a proteção das mulheres diante de situações de violência.
A instrutora ressaltou que o objetivo é ensinar a mulher a se defender sem estimular uma reação desproporcional.
Para Mileni Rodrigues, a primeira experiência mostrou que existe interesse das participantes em aprender técnicas de autodefesa.
“Se vocês saírem pelo menos com um golpe gravado na memória de vocês, para mim já vai ter valido muito a pena”, afirmou.
Projeto pode ser ampliado
A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Marisol Chiesa, afirmou que a iniciativa começou justamente com mulheres que já são acompanhadas pela rede de proteção, incluindo aquelas que possuem medidas protetivas.
Segundo ela, a experiência poderá servir de base para ampliar a atividade e levar a oficina para outras mulheres de Londrina.
“Estamos iniciando este piloto com essas mulheres e já muito felizes com a iniciativa da nossa Guarda Municipal. A ideia é expandir essa iniciativa para a cidade de Londrina”, declarou.
Mais de 3 mil medidas protetivas ativas
Londrina possui atualmente 3.275 medidas protetivas ativas, segundo informações dos 1º e 2º Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
Desse total, 2.708 mulheres são acompanhadas diretamente pela Guarda da Mulher e estão cadastradas no Botão de Emergência do aplicativo 153 Cidadão. A adesão ao dispositivo é facultativa.
Em 2026, a Guarda da Mulher também realizou 1.674 pós-atendimentos às mulheres acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha.
As equipes operacionais da Guarda Municipal atenderam ainda 328 casos de flagrantes relacionados à Patrulha Maria da Penha no município. A região norte concentrou 22,9% dos casos, seguida pela região leste, com 19%.
Além disso, foram realizadas mais de 40 ações integradas à Rede de Proteção à Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar.
Orientação é denunciar
O secretário municipal de Defesa Social, tenente-coronel Ricardo Eguedis, destacou a importância de as mulheres conhecerem seus direitos e saberem onde buscar ajuda.
“A Guarda Municipal está à disposição pelo telefone de emergência 153 e pelo aplicativo 153 Cidadão para recebermos os chamados”, afirmou.
Uma das participantes, a assistente jurídica Julieni Santos, contou que saiu da primeira aula mais confiante.
“Esse projeto é de suma importância para nós, mulheres, aprendermos a nos defender. A primeira aula foi maravilhosa. Conseguimos aprender bastante e eu já saí mais confiante”, relatou.
Ao final da atividade, as participantes também compartilharam experiências relacionadas à violência e ao medo. Para a organização, o momento reforçou que, além do conhecimento sobre defesa pessoal, acolhimento e acesso à rede de proteção são fundamentais para mulheres em situação de violência.