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Governo Federal sinaliza novo reajuste do salário mínimo para ainda este ano

14 fev 2023 às 15:09

O Governo Federal sinalizou com a possibilidade de um novo aumento do salário mínimo ainda este ano. O último reajuste do piso nacional, que elevou o valor para R$ 1,302, passou a valer no dia 1º de janeiro. Na ocasião, o aumento foi de 7,4%, um pouco acima da inflação do ano anterior. Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o anúncio da mudança pode ser anunciada em 1º de maio.


Levando em consideração a manutenção de uma família de quatro pessoas, durante um mês, o salário mínimo deveria ser de R$ 6,6 mil reais, segundo aponta o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Ou seja, um valor quase cinco vezes maior. Porém, a quantia esbarra em um problema complexo.


“Se você dá as condições necessárias para as pessoas consumirem cinco vezes mais, é necessário que haja uma produção cinco vezes maior de produtos. Se não houver a possibilidade da gente aumentar a produção, a única coisa que você faz é aumentar a inflação”, explicou o professor de economia, Marcos Rambalducci.


Mas se o reajuste do mínimo foi acima da inflação, por quê o brasileiro ainda está perdendo o poder de compra? Conforme o professor, a inflação dos produtos de alimentação são maiores. “A inflação é a média dos produtos, então para quem compra um helicóptero, a inflação foi de 2%, mas para quem comprou arroz e feijão, a inflação foi de 16%. Isso é grave para o país, mas precisamos entender a necessidade de balancear aquilo que a gente consome com aquilo que a gente produz”, disse.

 

Narciso Santana e a esposa recebem o salário mínimo de aposentadoria, têm a casa própria, mas economizam onde podem. “Acho que [o mínimo] precisava ser R$ 2.300. Nós gastamos muito com remédio. Eu compro carro para vender para ver se ganho um pouquinho. A gente come mais arroz e feijão, porque se for comprar alguma coisa melhor não dá não”, apontou.

 

Para Rambalducci, a saída para equacionar a diferença é melhorar a renda familiar até que haja capacidade de aumento de produção. “Isso vem com investimento na educação, principalmente na educação técnica. Seria o empreendedorismo de um lado e, do outro, o investimento na compra de equipamentos mais produtivos do que aqueles que temos. O problema não se resolve em uma canetada do governo. É preciso praticamente uma geração inteira pra gente conseguir esse aumento de produtividade e fazer com que o salário mínimo atinja essa característica de atender as necessidades de uma família durante 30 dias”, finallizou.