O Tribunal do Júri de Rolândia está reunido nesta quinta-feira (28) para decidir o destino de Davisson de Almeida, de 51 anos.
O réu, que chegou ao fórum sob escolta da Polícia Penal, é o principal acusado da morte brutal de sua prima, Franciele Gonçales Bigarelli, um crime que chocou a região em fevereiro de 2023. De acordo com a denúncia do Ministério Público, a vítima foi morta após oferecer uma carona ao primo, acreditando que o levaria para uma internação em uma clínica de reabilitação. No trajeto, ela teria sido imobilizada, amarrada e teve o corpo e o carro incendiados pelo acusado.
Durante o julgamento, o clima foi de grande emoção com os depoimentos de familiares e amigos. O pai de Davisson relatou que o filho luta contra o vício em drogas há mais de 30 anos e já passou por diversas clínicas, afirmando que a família também é vítima de todo esse sofrimento. Por outro lado, a melhor amiga de Franciele, a cabeleireira Cássia Amadeu, trouxe detalhes sombrios: segundo ela, o réu vivia ameaçando e chantageando a prima em busca de dinheiro para manter o vício. Franciele chegou a ser socorrida com 90% do corpo queimado, mas não resistiu aos ferimentos após oito dias internada no Hospital Universitário de Londrina.
A estratégia da defesa, liderada pelo advogado Peter Kelter, tenta sensibilizar os jurados para a condição de semi-imputável do réu, alegando que o uso prolongado de entorpecentes diminuiu sua capacidade de entender a gravidade dos fatos. Já a acusação bate forte nas qualificadoras de feminicídio, meio cruel e motivo torpe, buscando a pena máxima que pode chegar a 30 anos de prisão. Enquanto a defesa levanta uma polêmica tese de relacionamento amoroso e briga passional, a perícia e a Polícia Civil sustentam a versão de uma emboscada cruel, e a sentença final deve ser proferida ainda na noite de hoje.