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Hospitais do Oeste do Paraná realizam aplicações de polilaminina em pacientes com lesão medular

23 fev 2026 às 08:45

Dois hospitais do Oeste do Paraná realizaram, neste domingo (22), aplicações da substância polilaminina em pacientes com lesão medular. Os procedimentos ocorreram no Hospital Unimed, em Foz do Iguaçu, e no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel. A informação foi compartilhada nas redes sociais pelo doutor João Sarraf, que é um dos integrantes da equipe da doutora Tatiana Sampaio, coordenadora da pesquisa referente ao uso da laminina para recuperação de lesões medulares.


A polilaminina é uma substância derivada da laminina, proteína presente naturalmente no organismo humano, e vem sendo estudada por seu possível papel na regeneração do sistema nervoso. A pesquisa brasileira é considerada inédita por utilizar uma rede de proteínas com o objetivo de restaurar a comunicação entre cérebro e corpo após lesões graves.


Em um estudo acadêmico realizado com oito pacientes diagnosticados com lesão completa, os resultados foram descritos como históricos pelos pesquisadores. Segundo dados divulgados, a substância possibilitou o retorno de movimentos sutis, considerados extremamente importantes no processo de reabilitação.

Pesquisas experimentais anteriores já haviam demonstrado resultados promissores. Cerca de dez pacientes apresentaram algum grau de recuperação de movimentos após o uso da polilaminina. Entre os casos estão vítimas de acidentes de trânsito, quedas e ferimentos por arma de fogo.


A pesquisa é coordenada pela bióloga Tatiana Coelho Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela lidera o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, no Instituto de Ciências Biomédicas, onde desenvolve estudos voltados à regeneração de tecidos.


Desde a década de 1990, Tatiana se dedica à investigação da polilaminina, buscando transformar o conhecimento científico produzido em laboratório em aplicação prática na área da saúde. No início deste ano, o composto desenvolvido a partir de suas pesquisas deu origem a um medicamento totalmente brasileiro.


Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da fase 1 de testes clínicos em humanos, etapa destinada principalmente à avaliação da segurança do tratamento.