O caso de uma adolescente de 13 anos que mobilizou as forças de segurança em Londrina na madrugada desta segunda-feira (5) sofreu uma reviravolta significativa durante as investigações. Inicialmente narrado como um sequestro seguido de estupro praticado por um motorista de aplicativo, o crime agora é investigado como estupro de vulnerável praticado pelo ex-namorado da vítima, um jovem de 19 anos.
A versão inicial e a mentira por medo
A ocorrência teve início no Jardim Cafezal, zona sul da cidade. A menina teria relatado aos pais e à Polícia Militar que teria sido abordada por um veículo com identificação de transporte por aplicativo. Segundo o primeiro relato, homens teriam usado éter para desacordá-la e a levado para um matagal, onde o crime teria ocorrido.
No entanto, após diligências do setor de inteligência da PM e contradições no depoimento, a adolescente confessou ter mentido sobre o sequestro por medo da reação da família. Na realidade, ela foi por meios próprios até a residência do ex-namorado para conversar, local onde teria sido forçada a ter relações sexuais.
Prisão e linchamento
O principal suspeito, de 19 anos, foi localizado pela polícia enquanto trabalhava em uma empresa nas proximidades do bairro e foi detido em flagrante. Outros dois adolescentes, que estariam na residência no momento do crime, também foram identificados.
A divulgação informal da identidade desses jovens gerou uma onda de violência no Jardim Cafezal. Segundo o Capitão Castro, da Polícia Militar, os dois adolescentes foram alvo de tentativa de linchamento pela população revoltada antes de serem apreendidos e levados à delegacia.
Investigação em curso
A Polícia Civil agora trabalha para esclarecer o nível de participação dos outros dois menores de idade. Existem versões conflitantes:
Acusação: A jovem relatou que eles teriam assistido ao ato e pretendiam também violentá-la, o que não ocorreu porque ela conseguiu fugir.
Defesa: Os adolescentes alegam que não participaram e não sabiam do que ocorria no interior da residência, pois estariam na varanda da casa.
O Capitão Castro reforçou o pedido de cautela à população, orientando que não haja julgamentos precipitados ou atos de justiça com as próprias mãos, uma vez que as versões ainda estão sendo contestadas e apuradas pelo delegado de plantão. A vítima recebeu atendimento médico e psicológico via SAMU e as perícias necessárias já foram solicitadas.