A Polícia Civil agendou para a próxima terça-feira, 10 de março, a reconstituição do confronto entre policiais militares e três jovens que resultou em duas mortes na PR-445. O procedimento ocorre após dois adiamentos e controvérsias sobre o local da simulação. O caso aconteceu em maio de 2022, em frente à UEL (Universidade Estadual de Londrina), quando agentes da Companhia de Choque efetuaram cerca de 50 disparos contra um veículo Cruze.
A simulação deverá ocorrer no Autódromo Internacional Ayrton Senna, e não no local original dos fatos. A mudança atende a um pedido da defesa dos policiais envolvidos. O advogado de defesa dos policias alega falta de segurança para os agentes na rodovia. Segundo o advogado, a reconstituição vai comprovar que os agentes agiram em legítima defesa.
Haydee Melo, tia de William Jones Faramilio da Silva Junior, uma das vítimas fatais, classificou a justificativa da defesa como "hipocrisia". Segundo ela, os policiais possuem treinamento e armamento para garantir a própria segurança. "Na hora de darem 50 tiros, cinco e meia da tarde, numa via pública, eles não tiveram medo, mas agora eles têm medo de voltar ao local e de olhar na cara de três, quatro familiares", afirmou.
O confronto investigado causou as mortes de William Jones Faramilio da Silva Junior, de 18 anos, e Anderbal Campos Bernardo Júnior, de 21 anos. Um terceiro jovem sobreviveu aos disparos. Na época, a Polícia Militar do Paraná informou que o trio era suspeito de roubo de veículos e que houve reação à abordagem. A reconstituição é considerada peça fundamental para o inquérito, que corre em segredo de Justiça, para esclarecer as circunstâncias dos disparos e a conduta dos policiais envolvidos.