Cidade

Justiça após 36 anos: Assassino de Fernanda Estruzani é preso no Paraguai

15 abr 2026 às 20:54

Quase quatro décadas de espera e uma angústia que atravessou gerações chegaram a um desfecho nesta quarta-feira (15). Marcos Campinha Panissa, autor de um dos crimes mais emblemáticos da história policial de Londrina, foi finalmente preso em Assunção, no Paraguai. Foragido desde 1995, ele é o responsável pela morte da ex-companheira, Fernanda Estruzani, assassinada com 72 facadas em agosto de 1989. 


O crime ocorreu em um edifício na área central da cidade quando a vítima, de 21 anos, foi surpreendida pelo agressor. Após o ato, o autor tentou ocultar vestígios na cena do crime, um episódio que mobilizou a opinião pública e as forças de segurança pública do Paraná na época.


Para os familiares que acompanharam as perícias, a tragédia deixou marcas indeléveis. Sônia e José Antônio Mota, tios de Fernanda, relatam que a mãe da vítima faleceu sem presenciar a justiça ser feita. O reconhecimento do corpo no IML (Instituto Médico-Legal) e a brutalidade do caso tornaram a busca por respostas uma missão de vida para os parentes. 


A trajetória jurídica foi complexa, marcada por recursos que permitiram que Panissa respondesse ao processo em liberdade nos primeiros anos da década de 1990. Durante um dos julgamentos, o réu chegou a confessar o crime diante do júri popular, mas evadiu-se antes de iniciar o cumprimento da pena definitiva.


Em 1995, no terceiro julgamento, Panissa foi condenado à revelia a 21 anos de prisão, passando a figurar como foragido internacional. A localização do condenado no Paraguai foi viabilizada por meio de uma cooperação internacional entre as polícias e a Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). Como o crime prescreveria em 2028, a prisão foi considerada uma corrida contra o tempo. Agora, os trâmites para a extradição estão em curso para que ele responda pela condenação no Brasil. 


Para a família, a prisão representa o encerramento de um ciclo de impunidade, trazendo, após 37 anos, a sensação de que o rigor da lei finalmente alcançou um dos casos de maior repercussão do Judiciário paranaense.

Veja Também