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Justiça decreta intervenção na Santa Casa de Londrina e afasta diretores

15 jul 2026 às 08:58

A Vara da Fazenda Pública de Londrina determinou a intervenção judicial imediata na ISCAL (Irmandade Santa Casa de Londrina) pelo prazo inicial de 180 dias. A medida liminar afasta oito diretores de suas funções administrativas e financeiras com o objetivo de assegurar a regularidade, a segurança e a continuidade do atendimento médico à população pelo SUS (Sistema Único de Saúde).


A decisão atende parcialmente a um pedido do Ministério Público do Estado do Paraná em sede de Ação Civil Pública. Para liderar o processo de transição, a Justiça nomeou Reilly Alberto Aranda Lopes como interventor judicial. Servidor público estadual e atual Diretor do Hospital Zona Norte de Londrina, Lopes foi indicado devido à sua qualificação técnica em administração hospitalar.


Os motivos por trás da intervenção

A juíza substituta Gabriela Luciano Borri Aranda enfatizou que, embora a ISCAL possua natureza jurídica privada, ela destina 54,94% de seus leitos ao atendimento do SUS, desempenhando um papel social de relevância pública.


Segundo a investigação, a crise se agravou ao ponto de comprometer serviços essenciais:


  • Dívidas milionárias: O balanço de 2025 apontou parcelamentos de R$ 198,9 milhões com fornecedores, além de R$ 115,7 milhões em dívidas bancárias e empréstimos de longo prazo que somam mais de R$ 127 milhões.

  • Insolvência financeira: Em janeiro de 2026, a instituição foi inabilitada em uma licitação estadual por apresentar índices de liquidez muito abaixo do patamar mínimo exigido.

  • Paralisação na cirurgia pediátrica: Desde agosto de 2023, o hospital deixou de manter escalas regulares de cirurgiões pediátricos no Hospital Infantil Sagrada Família, sobrecarregando o HU (Hospital Universitário).

  • Atrasos nos repasses: Foi constatado um déficit anual de mais de R$ 11,2 milhões em honorários médicos do SUS em 2024, gerando falta de especialistas.

  • Interdição de agência transfusional: Um relatório da Vigilância Sanitária apontou que o serviço de hemoterapia terceirizado operava interditado desde 2019, com graves falhas de rastreabilidade.

  • Irregularidades trabalhistas: O hospital enfrenta processos pelo não recolhimento de FGTS, problemas no pagamento do piso da enfermagem e fornecimento de alimentação inadequada a funcionários.

  • Investigação do "Vale Sorte": A interventoria deverá apurar a destinação contábil de aproximadamente R$ 22 milhões recebidos pelo programa de filantropia premiada entre 2020 e 2024, sob suspeita de sobreposição de fontes de custeio com obras financiadas por subsídios federais.

Transição assistida e multas por descumprimento

Os diretores destituídos perdem imediatamente a autonomia deliberativa e financeira, mas deverão colaborar com o interventor fornecendo dados, senhas e fluxos de serviços para evitar a interrupção dos atendimentos.


A Justiça fixou uma multa diária individual de R$ 20 mil (limitada a R$ 1,2 milhão) para os gestores afastados em caso de interferência, ocultação de documentos ou obstrução das atividades do interventor. Também foi vetada qualquer alteração ou exclusão de arquivos no sistema digital do hospital.


Procurada pela reportagem para comentar a decisão judicial, a assessoria da Santa Casa de Londrina informou que a questão está sendo discutida judicialmente e que a instituição não irá se manifestar sobre o assunto.

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