Ciência, tradição e criatividade se encontram em um laboratório no Oeste do Paraná, onde pesquisadores transformam leite em produtos que unem tecnologia e inovação. O trabalho desenvolvido no Laboratório de Produção de Queijos Finos do Biopark já conquistou reconhecimento nacional e busca aproximar conhecimento científico dos produtores da região.
Enquanto um queijo descansa, ele continua em transformação. O tempo age sobre textura, aroma e sabor até que o produto alcance o ponto ideal. No laboratório, esse processo é acompanhado de perto por uma equipe que trabalha para criar novas variedades de queijos finos.
A proposta é desenvolver produtos que possam ser reproduzidos por produtores locais, oferecendo tecnologia e conhecimento para agregar valor à produção leiteira. A iniciativa considera o potencial do Oeste do Paraná, uma das principais bacias leiteiras do país.
O laboratório atua em um modelo de transferência de tecnologia. Além de criar as receitas, a equipe oferece suporte técnico para que os produtores possam aplicar os processos e levar novos produtos ao mercado.
À frente do trabalho está Kennidy, que reúne conhecimento científico com uma história construída muito antes dos laboratórios. O pesquisador conta que a inspiração também veio das memórias da infância e da experiência da avó, que já demonstrava, de forma artesanal, o cuidado e a sensibilidade envolvidos na produção de alimentos.
Outro destaque da equipe é Isabelli, conhecida internamente como a "mãe dos queijinhos". Mesmo jovem, ela acompanha de perto a execução dos processos planejados e participa de todas as etapas de desenvolvimento dos produtos.
Queijos premiados
O trabalho desenvolvido no laboratório ganhou reconhecimento pelo segundo ano consecutivo no prêmio "Melhor Queijeiro do Brasil", durante a 4ª edição do Mundial do Queijo, realizado em São Paulo.
Entre os produtos premiados estão os queijos Planeta e Meteoro, que fazem parte do conjunto campeão. Um terceiro queijo, chamado Buraco Negro, também foi criado exclusivamente para a competição.
A proposta utilizou técnicas avançadas de ciência de alimentos para criar novas experiências sensoriais, explorando diferentes texturas, sabores e sensações térmicas.
O resultado chama atenção pela riqueza de detalhes. O queijo Planeta impressiona pela combinação de cores e pela semelhança com a superfície de um planeta, enquanto o Meteoro se destaca pelas formas únicas e pelas chamadas "imperfeições" que fazem parte da identidade do produto.
Apesar do reconhecimento, as receitas ainda são mantidas em segredo. Os produtos vencedores não serão comercializados neste momento, pois passam por um processo de proteção intelectual para futuro registro de patente.
O objetivo é preservar a inovação desenvolvida e, ao mesmo tempo, continuar criando soluções que possam fortalecer a cadeia produtiva do leite no Oeste do Paraná.