Cidade

Londrina busca descentralizar serviços para pessoas em situação de rua

26 mar 2026 às 11:42

A Secretaria de Assistência Social de Londrina registrou o atendimento de quase 1.300 pessoas em situação de rua apenas nos dois primeiros meses de 2026. O dado reflete a complexidade de um cenário marcado por histórias heterogêneas e realidades duras, que demandam estratégias personalizadas do poder público. Diante desse volume, a prefeitura anunciou a intenção de realizar um censo municipal em abril, com o objetivo de mapear quantitativamente e qualitativamente esse público, identificando os motivos que levam cada indivíduo à vulnerabilidade extrema. Segundo o secretário Cláudio Melo, o levantamento deve ocorrer de forma autônoma pelo município caso não haja a formalização do apoio previsto junto ao Governo do Estado.


As abordagens diárias realizadas pelas equipes de assistência revelam que o encaminhamento para abrigos esbarra, frequentemente, em resistências culturais e logísticas. Muitos usuários recusam o acolhimento por questões que envolvem seu sustento econômico, como a necessidade de manter carrinhos de reciclagem, ou por demandas específicas de identidade, como a carência de alas destinadas ao público LGBTQIA+. Embora parte da população assistida alegue a falta de leitos, a administração municipal contesta a informação, assegurando que houve vagas ociosas em todos os dias deste ano e que o sistema opera em regime de rotatividade para garantir o fluxo de entrada.


Para além do acolhimento institucional, o município aposta no fortalecimento de serviços móveis, como o programa Consultório na Rua, que leva cuidados de saúde básica diretamente aos locais de permanência dessas pessoas. A estratégia de descentralização dos serviços é vista como fundamental para reduzir barreiras de acesso e humanizar o contato inicial, que muitas vezes exige longas negociações entre assistentes sociais e cidadãos. A proposta da prefeitura é que, com os dados consolidados do novo censo, seja possível reestruturar as unidades de acolhimento para atender melhor às particularidades de quem vive nas ruas da cidade.


O foco atual das políticas públicas locais reside na ampliação da capacidade de resposta da rede de proteção social em diferentes pontos de Londrina. Ao fortalecer as abordagens sociais, a secretaria busca não apenas oferecer um teto temporário, mas criar pontes de reintegração que respeitem a rotina e a dignidade dos atendidos. Com a expectativa de iniciar o mapeamento detalhado nas próximas semanas, a gestão espera fundamentar novas parcerias e investimentos que tornem o suporte à população de rua mais eficiente e preventivo ao longo de 2026.




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