Um novo relatório produzido pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) revela que o Brasil possui cerca de 360 mil pessoas em situação de rua. O dado, compilado no Paraná pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), coloca Londrina na quinta posição estadual, com um registro oficial de 744 pessoas nessa condição.
A metodologia utilizada pelo observatório baseia-se nos dados do Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal. No entanto, o número apresenta uma divergência em relação a levantamentos municipais anteriores. Há cerca de sete anos, a Secretaria de Assistência Social de Londrina chegou a contabilizar mais de mil pessoas em situação de rua após intensificar as abordagens pelo Centro Pop e pelo consultório de rua, sugerindo que os dados oficiais de programas assistenciais podem não refletir a totalidade da população flutuante.
No ranking paranaense, Curitiba lidera com mais de 4 mil pessoas em situação de rua, seguida por Foz do Iguaçu (mais de mil), Ponta Grossa e Maringá. Antes de Londrina, aparece ainda São José dos Pinhais, com 884 registros. O cenário nacional é alarmante: se todas as pessoas em situação de rua no Brasil formassem uma única cidade, ela seria mais populosa que capitais como Palmas (TO) e Rio Branco (AC).
Em Londrina, pontos historicamente utilizados como abrigo, como a Concha Acústica e o entorno do Edifício Júlio Fugante, no centro, apresentam uma movimentação reduzida de pernoites em comparação a anos anteriores, reflexo das recentes revitalizações e das dinâmicas de abordagem social. Especialistas alertam, contudo, que a percepção da população e os números do CadÚnico nem sempre coincidem devido à dificuldade de manter cadastros atualizados para este público específico.