A Prefeitura de Londrina (PR) protocolou na Justiça uma ação civil pública por improbidade administrativa para reaver R$ 2,9 milhões repassados a uma entidade filantrópica responsável pela gestão de 13 CEIs (Centros de Educação Infantil) conveniados no município. A medida é baseada em auditorias da Controladoria-Geral do Município e do MP-PR (Ministério Público do Estado do Paraná), iniciadas após denúncias recebidas pela ouvidoria entre 2024 e 2025.
Segundo o levantamento do órgão de controle, a Associação de Moradores de Paiquerê e quatro empresas prestadoras de serviços teriam estruturado um esquema de direcionamento de cotações de preços e favorecimento contratual. O controlador-geral do município, Guilherme Arruda, apontou a existência de uma rede de vínculos familiares, societários e empregatícios entre os dirigentes da Organização da Sociedade Civil (OSC) e os sócios das empresas contratadas para prestar serviços nas unidades infantis — conduta vedada pela legislação de parcerias públicas.
A administração municipal solicitou a restituição integral dos valores aos cofres públicos, a anulação dos contratos vigentes, o afastamento dos dirigentes envolvidos e a decretação da indisponibilidade de bens dos réus. A Procuradoria-Geral do Município garantiu que a tramitação judicial e as eventuais trocas de gestão não interromperão o atendimento pedagógico e o funcionamento regular das creches.
Em nota oficial, a Associação de Moradores de Paiquerê informou que ainda não foi notificada formalmente da ação judicial e que não teve acesso ao teor completo das acusações. A entidade declarou estar à disposição das autoridades, afirmando que todas as prestações de contas e planos de trabalho foram submetidos à aprovação prévia da Secretaria Municipal de Educação e que atua com transparência e responsabilidade no uso das verbas públicas.