Londrina recebe, no dia 30 de outubro, o evento “Chemsex: um novo
desafio para o tratamento das dependências”, com palestra da psiquiatra
Alessandra Diehl, lançamento do livro de mesmo nome, sessão de autógrafos e
coquetel. O encontro pretende trazer para o debate local um fenômeno que vem
mobilizando pesquisadores e serviços de saúde em diferentes países e que coloca
em contato áreas que muitas vezes ainda trabalham separadamente: saúde sexual, saúde
mental e cuidado relacionado ao uso de substâncias.
O chemsex é caracterizado pelo uso intencional de determinadas
substâncias psicoativas em contexto sexual, frequentemente associado à busca
por maior prazer, desinibição, intensidade ou prolongamento das experiências
sexuais. O fenômeno ganhou novas configurações com a expansão dos aplicativos
de relacionamento e pode envolver encontros prolongados, múltiplos parceiros e
diferentes padrões de consumo de substâncias.
A preocupação de saúde pública não está na sexualidade em si, mas
nas situações de vulnerabilidade que podem estar associadas a determinadas
práticas. Estudos têm encontrado associação entre chemsex e maior frequência de
relações sexuais sem preservativo, múltiplas parcerias sexuais, sexo em grupo e
ocorrência de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis em determinados
grupos estudados.
PrEP
existe, mas ela está chegando a quem precisa?
Um dos pontos centrais do debate será também a profilaxia
pré-exposição ao HIV, a PrEP, disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único
de Saúde e considerada uma das principais ferramentas da prevenção combinada. O
evento contará com uma estação da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina.
Apesar dos avanços brasileiros na ampliação do acesso, evidências recentes indicam uma lacuna importante justamente entre pessoas expostas a contextos de maior vulnerabilidade.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026 reuniu 28
estudos, com 36.339 participantes de diferentes regiões do mundo, e estimou que
apenas 39% dos homens gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com
homens que relataram chemsex utilizavam PrEP. A utilização foi ainda menor nos
estudos realizados em países de baixa e média renda.
O próprio Ministério da Saúde brasileiro reconhece a prática de
chemsex entre as situações que podem indicar maior benefício da PrEP.
Para Alessandra Diehl, especialista em dependência química e
sexualidade humana e autora do livro, os números levantam uma questão
importante para a saúde pública: não basta que uma estratégia de prevenção
exista. É necessário que ela alcance as pessoas que podem se beneficiar dela.
“Precisamos conseguir
conversar sobre sexo, drogas, prazer, prevenção e saúde mental no mesmo espaço.
O chemsex mostra justamente a necessidade de aproximarmos áreas que ainda
conversam pouco entre si. Não basta disponibilizar uma tecnologia de prevenção
se ela não chegar à pessoa que precisa dela, no momento e no contexto em que
essa pessoa está vivendo.”
Um desafio
para a saúde pública
O Brasil construiu, ao longo das últimas décadas, uma resposta
internacionalmente reconhecida ao HIV/aids, com acesso pelo SUS ao tratamento e
a diferentes estratégias de prevenção.
Desde a incorporação da PrEP oral ao SUS, centenas de milhares de
pessoas já iniciaram a profilaxia no país. Além dela, a prevenção combinada
envolve estratégias como preservativos, testagem para HIV e outras ISTs,
profilaxia pós-exposição, a PEP, diagnóstico precoce e tratamento das pessoas
vivendo com HIV.
A experiência de São Paulo ajuda a demonstrar a importância da
ampliação do acesso à prevenção. Em 2026, a capital alcançou 90 mil pessoas
cadastradas para PrEP. Paralelamente, os novos diagnósticos de HIV na cidade
caíram 56% entre 2016 e 2025, passando de 3.761 para 1.662 registros.
Diferentes políticas públicas e mudanças epidemiológicas participam desse
resultado e, portanto, a redução não pode ser atribuída exclusivamente à PrEP.
O desafio, segundo Diehl, é compreender os contextos contemporâneos
em que as exposições acontecem.
“O Brasil tem uma história
extremamente importante na resposta ao HIV. Precisamos aproveitar essa
experiência para compreender também novos contextos de vulnerabilidade. Falar
de chemsex é falar de prevenção, PrEP, PEP, testagem, redução de danos, saúde
mental, sexualidade e tratamento das dependências de maneira integrada e sem
julgamento moral.”
Drogas,
sexo e aplicativos
Além das repercussões relacionadas ao HIV e às outras ISTs, o
chemsex pode envolver questões relacionadas à dependência de substâncias,
compulsividade, impulsividade, saúde mental, consentimento, redução de danos e
dificuldades para buscar atendimento.
O uso de aplicativos de relacionamento também passou a integrar esse cenário, facilitando encontros entre pessoas com interesses semelhantes e criando códigos e formas específicas de comunicação relacionados ao sexo e ao uso de substâncias.
Para os profissionais de saúde, isso traz um desafio adicional:
conseguir perguntar sobre sexualidade e consumo de drogas de forma técnica,
acolhedora e sem julgamento.
“É necessário que o chemsex
no Brasil passe a ter mais visibilidade para os profissionais de saúde e para a
saúde pública efetivamente”, afirma Alessandra Diehl.
Livro reúne
diferentes perspectivas sobre o fenômeno
O livro “Chemsex: um novo desafio para o tratamento das
dependências” reúne evidências científicas e diferentes perspectivas sobre as
interfaces entre substâncias psicoativas, sexualidade, comportamento, saúde
mental, HIV e outras ISTs.
Depois do lançamento realizado em Balneário Camboriú, Santa
Catarina, a agenda segue para Londrina, onde a autora pretende aproximar a
discussão da realidade dos profissionais, dos serviços de saúde e da
comunidade.
O encontro é organizado pela RA4 Consultoria em Saúde Mental, tem
patrocínio ouro do Hospital Vida, além da participação de outros diversos
parceiros e apoiadores, tais como Laboratório Cristália, Laboratório EMS,
PrevOne e Sobri+Eu.
SERVIÇO
Evento: Chemsex: Um Novo
Desafio no Tratamento das Dependências
Data: 30 de outubro de
2026
Local: Auditório do
Palhano Business Center 2
Endereço: Avenida Ayrton
Senna da Silva, 200, Torre 2 – Londrina/PR
Credenciamento: 18h30
Palestra: 19h
Palestrante e autora: Dra.
Alessandra Diehl
Organização: RA4
Consultoria em Saúde Mental
Patrocínio Ouro: Hospital
Vida
Apoio: Laboratório
Cristália e outros parceiros
Vagas: 50 participantes
Inscrição: R$ 90,00,
somente antecipada. A vaga é garantida exclusivamente após a confirmação do
pagamento. A inscrição inclui palestra, 1 exemplar do livro e participação na
sessão de autógrafos. O livro será entregue no credenciamento, antes da
palestra.
Programação: Palestra, lançamento do livro, sessão de autógrafos, coquetel e networking. Duas estações: uma de prevenção combinada com orientações e outra com testagens toxicológicas.