A Delegacia de Estelionato de Londrina registrou mais de 3 mil boletins de ocorrência entre janeiro e o último dia 18 de outubro de 2026. O volume representa uma média superior a 300 casos por mês e reflete o avanço de fraudes financeiras na cidade, com prejuízos individuais que chegam a alcançar até R$ 3 milhões em um único golpe.
Com o auxílio de novas ferramentas de tecnologia e recursos de Inteligência Artificial (IA), as abordagens criminosas vêm atingindo vítimas de diferentes idades, níveis de escolaridade e faixas de renda. Entre as modalidades frequentes estão golpistas que se passam por advogados com escritórios locais para cobrar falsas taxas de processos, farsas em negociações imobiliárias e contatos via aplicativo de mensagem em que criminosos se passam por filhos pedindo transferências de emergência.
Na delegacia local, o movimento de vítimas em busca de ajuda é constante. Em um dos relatos acompanhados, uma família teve um prejuízo de cerca de R$ 2.689,00 em pagamentos de boletos falsos, enquanto outra perdeu R$ 70 mil em uma negociação fraudulenta envolvendo a venda de um terreno. Em outro caso investigado, um cliente de um escritório da Zona Norte perdeu R$ 9 mil ao transferir valores para um falso advogado com DDD da capital.
O titular da delegacia, delegado Edgard Soriani, apontou que a mudança no perfil do crime exige uma reformulação nos métodos de apuração policial. Segundo a autoridade, a investigação tradicional baseada na localização física do suspeito enfrenta entraves burocráticos, uma vez que a execução da fraude muitas vezes parte de outros estados. Para aumentar a assertividade no combate às quadrilhas, a polícia defende o foco prioritário no rastreamento do fluxo financeiro e na recuperação dos valores transferidos.