A escalada da violência viária em Cascavel motivou um alerta urgente da Transitar após o registro de duas mortes de motociclistas em um intervalo de apenas 24 horas. Em entrevista à TV Tarobá, a coordenadora de Educação no Trânsito da autarquia, Luciane de Moura, detalhou o cenário crítico no município, que já contabiliza 16 óbitos no total — divididos igualmente entre perímetros urbanos e rodovias — e reforçou que a falta de atenção e o descumprimento de normas básicas de segurança são os principais catalisadores dessas tragédias.
Segundo a coordenadora, a análise preliminar de um dos acidentes fatais ocorridos nesta semana aponta para o avanço de preferencial como causa primária, agravado por um detalhe técnico fatal: o capacete da vítima soltou-se durante a colisão. Luciane de Moura revelou que este é o terceiro caso de óbito no ano em que o equipamento se desprende da cabeça do condutor por não estar com a fivela jugular devidamente fechada. Para a especialista, a falsa sensação de segurança faz com que motociclistas negligenciem itens que separam ferimentos leves de consequências irreversíveis.
Outro ponto de extrema preocupação levantado pela coordenadora diz respeito ao transporte de crianças em motocicletas. Durante o debate, foram exibidas imagens de flagrantes de irregularidades, como quatro pessoas em uma única moto e crianças menores de dez anos — idade mínima permitida por lei — sendo transportadas sem qualquer proteção. Luciane de Moura destacou que essa conduta, além de gerar a suspensão direta do direito de dirigir, expõe a parcela mais vulnerável da família a riscos altíssimos.
A Transitar tem intensificado as ações educativas em escolas da região, buscando conscientizar pais e alunos sobre a importância do exemplo no ambiente viário. Luciane de Moura concluiu pontuando que a fiscalização e as melhorias em infraestrutura são fundamentais, mas que a redução dos índices de mortalidade depende diretamente da mudança de comportamento dos condutores, que devem abandonar distrações como o uso do celular e priorizar o respeito mútuo.