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Marcos Panissa chega a Londrina para cumprir pena por homicídio

Julgado à revelia em 2008, Panissa inicia cumprimento da pena de 19 anos e seis meses em regime fechado no norte do Paraná.
27 mai 2026 às 14:26
Por: Portal Tarobá

Trinta e sete anos após um dos crimes mais emblemáticos da crônica policial paranaense, Marcos Panissa foi transferido para Londrina, no norte do Paraná, para dar início ao cumprimento de sua pena em regime fechado. A confirmação oficial foi feita por Élcio Martins Basdão, coordenador Regional do Depen (Polícia Penal do Paraná). A movimentação estratégica ocorreu sob forte esquema de segurança no último dia 15 de maio. Por motivos de segurança institucional, detalhes das rotas e imagens da operação não foram divulgados pelas autoridades.


Panissa foi o autor do brutal assassinato de Fernanda Estruzani Panissa, ocorrido em agosto de 1989. O caso gerou comoção nacional devido à crueldade do ataque e à longa batalha jurídica que se arrastou pelas décadas seguintes. O criminoso foi capturado no Paraguai no dia 15 de abril, onde vivia escondido utilizando uma identidade falsa, ostentava bens de alto padrão e já havia constituído uma nova família.


Risco de prescrição acelerou buscas

A localização do foragido era considerada prioridade absoluta para a Polícia Civil e o Ministério Público. Como a condenação do réu prescreveria integralmente em 2028, restavam menos de dois anos para que o crime ficasse definitivamente impune perante a Justiça brasileira.


Após a prisão em território paraguaio, Panissa foi inicialmente mantido na carceragem de Foz do Iguaçu, na fronteira entre os dois países. A transferência definitiva para a comarca do crime dependia do aval do Cotransp Estadual (Comitê de Transferência de Presos), órgão que emitiu as guias oficiais necessárias para o deslocamento interestadual em segurança.

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O crime que marcou o Judiciário


A brutalidade do homicídio marcou a carreira das autoridades que atuaram no caso. A promotora de Justiça Susana de Lacerda, responsável pela acusação técnica no Tribunal do Júri realizado em 2008, relembrou o impacto do episódio.


"Para mim, enquanto promotora do tribunal do júri e também enquanto mulher, foi algo que me marcou muito", declarou Susana.


De acordo com as investigações da época, a vítima foi surpreendida enquanto dormia no sofá de casa e não teve qualquer chance de defesa. Ao todo, a ex-companheira foi morta com 72 facadas. Durante o julgamento, para derrubar a tese defensiva de "violenta emoção", a promotoria de Justiça chegou a simular o tempo físico exigido para desferir as dezenas de golpes.


"Uma faca para entrar no corpo de uma pessoa e ser retirada leva um tempo longo. É um crime onde houve reflexão", explicou a promotora, que na ocasião exibiu aos jurados o cobertor ensanguentado colhido na cena do crime.


Julgamento à revelia


O histórico do processo revela que Marcos Panissa respondeu às investigações iniciais em liberdade durante o começo da década de 1990, período em que aproveitou para fugir do país.


A condenação a 19 anos e 6 meses de reclusão só foi possível em 2008, graças a uma reforma no Código de Processo Penal (CPP) que passou a permitir o julgamento à revelia — ou seja, sem a presença física do réu no banco dos réus. Agora, após a conclusão do processo de extradição, o condenado cumprirá a sanção penal integral no sistema prisional paranaense.


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