Cidade

Maripá 2022: Natureza em fúria! Destruição na área rural soma prejuízo de R$ 90 milhões

04 mai 2022 às 14:17

As cenas são de destruição no campo. Fica difícil descrever o sentimento do produtor que olha pra esse espaço que foi perdido. Local de trabalho da família que investiu tempo e mais de 4 milhões de reais em uma ordenha automatizada, e tudo foi perdido por conta do forte temporal que também devastou lavouras de milho.

"Assim deste tipo eu nunca tinha visto. Já tinha dado granizo, destruído todo o telhado, mas dessa vez foi a estrutura, foi tudo, a lavoura também, não ficou nada. A gente não tem nem comida mais pra sustentar os animais. Foi uma coisa que a gente já até via na televisão longe, mas nunca imaginou passar por um negócio desses", explica o produtor rural, Leonezio Zoz.

Segundo a secretaria de agricultura de Maripá, de 23 mil hectares plantados com milho, 11 mil foram totalmente perdidos.

"35% a 40% da lavoura foi perca total. O milho estava a maioria na fase já de enchimento de grão, outros passando por maturação. Expectativa era de aproximadamente 100 sacas por hectares, uma safra cheia. Houve perca total, nem para a silagem esse milho serve. Sem contar o prejuízo pós desastre, que foi a falta de energia, muita perca na produção leiteira, na piscicultura também", detalha Adilson Gonçalves da Cruz, secretario de agricultura de Maripá.

Romeu Leitzke é produtor de milho e tevê a lavoura inteira atingida, sem nenhum tipo de seguro, ele lamenta as perdas, mas diz que não irá desistir, o motivo: Amor pelo campo.

"Tudo que a gente já vinha perdendo, pelo terceiro ano. Ano passado na safrinha por geada, no verão perdemos 100% com a seca, colhi quatro a sete sacas por alqueire. Tudo que a gente esperava para recuperar era a safrinha, que para nós era um safrão, que a gente não tinha milho abaixo de 200, 250 sacas por alqueire. Mais 25 a 30 dias já entrava em colheita[...] É a profissão do agricultor né? É o único louco que tem uma indústria a céu aberto. Não tenho um centavo de seguro de nada. Nem da lavoura, nem das placas solares, nem do barracão. Para quem nasceu aqui e está até hoje aqui, é porque a força de vontade é grande. Tudo que a gente tem a gente fez com a lavoura, então não temos outra profissão, nós não sabemos fazer outra coisa, temos que voltar a tentar produzir, para nos manter e manter o país", conta emocionado, Romeu.

Os detalhes na reportagem de Rogerio Antunes e Flávio Frizon.

Veja Também