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Ministério Público investiga Valdir Santa Fé por suposto esquema de "rachadinha"

19 mar 2026 às 17:19

A Promotoria de Justiça de Londrina instaurou um inquérito para investigar o vereador Valdir Santa Fé (PP) por suposta improbidade administrativa e enriquecimento ilícito. O Ministério Público apura a existência de um esquema de “rachadinha”, no qual parte dos salários do parlamentar e de seus assessores seria repassada a um terceiro. O sigilo dos autos foi levantado nesta quarta-feira, tornando públicos os detalhes da investigação que começou em 2025.


Segundo o documento, um homem recebia R$ 6 mil mensais provenientes do gabinete do vereador. O montante era composto por R$ 3 mil retirados diretamente dos vencimentos de Valdir Santa Fé e outros R$ 3 mil divididos entre três assessores da equipe. A investigação indica que os pagamentos serviam para quitar uma dívida de aproximadamente R$ 21 mil contraída pelo parlamentar durante a campanha eleitoral.


O MP reuniu comprovantes de transferências bancárias via PIX e gravações de áudio que sustentam a acusação. Uma ex-assessora confirmou em depoimento que realizava depósitos mensais de cerca de R$ 800 para a conta do beneficiário do esquema.


A assessora que denunciou o caso foi exonerada em julho de 2025 após relatar assédio moral. Outros dois funcionários foram desligados no início de 2026, mas um deles retornou ao cargo de Chefe de Gabinete logo em seguida.

Procurado pela reportagem, o vereador informou que vai se manifestar após o final da sessão de hoje na Câmara Municipal de Londrina.

O QUE DIZ A DEFESA DOS ASSESSORES


A defesa dos assessores vinculados ao gabinete do vereador Valdir Santa Fé informa que teve acesso recente aos autos do procedimento em trâmite perante o Ministério Público, oportunidade em que os envolvidos já prestaram esclarecimentos de forma espontânea e colaborativa.


Esclarece-se que eventuais relações financeiras mencionadas dizem respeito a vínculos de natureza estritamente privada entre particulares, dotados de causa lícita e devidamente documentada, sem qualquer relação com o exercício de cargo público ou com a atividade parlamentar.


Os assessores permanecem à disposição para apresentação de todos os documentos pertinentes, os quais demonstram a regularidade das relações mencionadas.


Ressalta-se que não houve qualquer prática de irregularidade, tampouco a existência de “rachadinha” ou desvio de recursos públicos, tratando-se de interpretações equivocadas de fatos que serão devidamente esclarecidos.


A defesa confia no completo esclarecimento dos fatos no âmbito das instituições competentes, reiterando o compromisso dos envolvidos com a legalidade, a transparência e o respeito às normas vigentes.


Registra-se, por fim, que o procedimento tramita sob regime de sigilo, conforme inclusive indicado nos sistemas oficiais, razão pela qual não é possível a divulgação de maiores detalhes neste momento, em observância às normas legais aplicáveis.

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