Moradores do Jardim Santa Rita, na zona oeste de Londrina, realizaram um ato simbólico de protesto com a fixação de mais de cem cruzes no gramado da praça do bairro. A manifestação ocorreu em resposta ao projeto de lei aprovado pela CML (Câmara Municipal de Londrina) que autoriza o município a converter 17 áreas públicas em terrenos para habitação popular.
A proposta prevê a construção de 2.560 moradias sociais em toda a cidade, sendo 104 unidades destinadas especificamente ao terreno da praça no Jardim Santa Rita. A comunidade esclarece que não se opõe à criação de habitações populares, mas questiona a escolha de um espaço verde e comunitário já consolidado, além da falta de estrutura do bairro em áreas essenciais.
Segundo os organizadores da mobilização, a região já enfrenta sobrecarga nas unidades de saúde e na rede escolar, o que tornaria inviável o atendimento adequado a novas famílias sem investimentos simultâneos em serviços públicos. A população local também critica a tramitação da matéria no Poder Legislativo, que foi votada em regime de urgência e sem a realização de uma audiência pública para ouvir a comunidade, após o plenário rejeitar um requerimento para o debate.
Em contrapartida, a Cohab (Companhia de Habitação de Londrina) informou que os imóveis atenderão famílias cadastradas em situação de vulnerabilidade social. O órgão registra uma fila de cerca de 50 mil pessoas no aguardo por casa própria. A expectativa da autarquia é iniciar as obras no local ainda em setembro, após os trâmites contratuais.