Os moradores do entorno do Lago Igapó II voltaram a registrar poluição por descarte irregular de resíduos químicos na tubulação de escoamento da Rua Bento Munhoz da Rocha Neto. No local, é possível observar uma grande quantidade de espuma densa saindo das galerias e atingindo diretamente as águas do reservatório. A avaliação preliminar indica que o material é composto por substâncias ácidas e químicas, características de produtos de limpeza pesada utilizados em estabelecimentos comerciais ou condomínios da região.
A contaminação agrava um problema ambiental que persiste desde o final do ano passado: a proliferação das alfaces-d’água. O excesso de resíduos orgânicos e químicos na água funciona como um fertilizante, favorecendo o crescimento desenfreado dessas plantas que cobrem a superfície. Esse fenômeno compromete o ecossistema local, pois a vegetação consome o oxigênio da água em excesso, o que pode provocar a mortandade de peixes e outras espécies aquáticas em larga escala no cartão-postal de Londrina.
Fiscais da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) estiveram no local para avaliar a extensão dos danos e identificar a origem do despejo. O órgão agora percorre lava-rápidos e outros estabelecimentos da Gleba Palhano para fiscalizar licenças ambientais e planos de escoamento. A Sema também investiga se empresas terceirizadas que realizam a limpeza de calçadas e fachadas estão despejando detritos diretamente na rede pluvial, prática considerada crime ambiental passível de multa pesada.
Em nota, a Prefeitura de Londrina informa que recebeu a denúncia sobre a presença de espuma no Lago Igapó 2 e realizou vistoria imediata no local.
No momento da chegada da equipe de fiscalização, a situação já havia se normalizado, não sendo constatada a continuidade da formação de espuma. Ainda assim, foram realizados registros e iniciadas diligências na região com o objetivo de identificar a possível origem do fato.
De acordo com avaliação técnica preliminar, situações como essa podem estar associadas, entre outros fatores, ao descarte irregular de resíduos provenientes de atividades como lavagem de calçadas ou serviços automotivos, quando realizados sem o devido controle ambiental.
Durante a ação, a equipe percorreu o entorno do lago para verificação de estabelecimentos e atividades potencialmente relacionadas, sendo adotados os encaminhamentos administrativos cabíveis para análise e acompanhamento pelos setores competentes.
A SEMA reforça que o lançamento irregular de efluentes em corpos hídricos constitui infração ambiental, estando sujeito à aplicação de penalidades conforme a legislação vigente, com multas que podem iniciar em R$ 5.000,00, conforme previsto no Decreto Federal nº 6.514/2008.
Ressalta-se ainda que, nos últimos dias, a SEMA notificou e autuou três condomínios que estavam utilizando produtos de limpeza proibidos pela legislação, prática que pode contribuir para a formação de espuma e para a degradação da qualidade da água.