A morte da escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty, de 45 anos, registrada na noite de quarta-feira em Cascavel, passou a ser investigada como feminicídio. O caso, que inicialmente era tratado como uma ocorrência de disparo de arma de fogo, teve uma reviravolta após a análise da Polícia Científica. O marido da vítima, o subtenente da reserva do Exército Júlio César Valteman de Freitas, foi preso em flagrante e permanece detido em uma Organização Militar do Exército.
Vanessa atuava como escrivã da Polícia Federal em Cascavel desde 2016. Casada e mãe de uma adolescente, ela trabalhou normalmente durante toda a quarta-feira, segundo colegas de trabalho.
De acordo com as investigações, à noite o casal foi assistir a uma partida de futebol em um estabelecimento na região do Lago Municipal. Conforme relatos, os dois teriam discutido no local e deixado o estabelecimento em seguida, retornando para casa.
Em depoimento, o militar afirmou que entrou na residência enquanto Vanessa permaneceu no veículo. Segundo sua versão, diante da demora da esposa para entrar, foi até o carro e a encontrou já ferida por um disparo de arma de fogo na cabeça. Ele acionou o Siate e as forças de segurança.
Durante o atendimento da ocorrência, equipes da Polícia Científica realizaram a perícia no imóvel. A análise dos vestígios levantou elementos que levaram a Delegacia de Homicídios a descartar, naquele momento, a hipótese inicial e tratar o caso como feminicídio.
Com base nas informações obtidas ainda no local, a Polícia Civil deu voz de prisão ao marido da vítima. Na quinta-feira, ele foi submetido a exame de corpo de delito. Em nota, o Exército confirmou que o militar da reserva permanece custodiado em Organização Militar, à disposição da Justiça.
A defesa de Júlio César Valteman de Freitas concedeu entrevista exclusiva à equipe da TV Tarobá e afirmou que o investigado nega qualquer participação no crime. Segundo os advogados, ele sustenta que Vanessa teria tirado a própria vida e afirma estar colaborando com as investigações desde o início da ocorrência.
Na despedida, amigos, colegas de trabalho e familiares prestaram as últimas homenagens à escrivã da Polícia Federal. O velório foi marcado por forte comoção. Após a cerimônia, um cortejo acompanhou o corpo até a unidade da Polícia Rodoviária Federal na BR-277, de onde seguiu para Curitiba, cidade onde ocorreu o sepultamento. Os familiares preferiram não conceder entrevistas.
A Delegacia de Homicídios continua reunindo provas para esclarecer a dinâmica dos fatos. Novas testemunhas devem ser ouvidas nos próximos dias, enquanto o laudo pericial, considerado peça fundamental para a investigação, tem prazo estimado de até 30 dias para ser concluído. Até a conclusão do inquérito, a defesa mantém a versão de suicídio, enquanto a Polícia Civil conduz o caso sob a hipótese de feminicídio.