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Motorista de acidente que causou morte de esposa e filha não vai a júri popular

06 fev 2026 às 13:01

A Justiça decidiu que Carlos Miguel Santos Correia, motorista acusado de causar o acidente que matou sua esposa, Nicole Junqueira, e sua filha, Alice, não será submetido a júri popular. O caso ocorreu em dezembro de 2023 na BR-369, em frente ao Ceasa de Londrina, e envolvia suspeita de participação em um racha


Com a decisão, o réu responderá por crime de trânsito com resultado em morte, cuja pena prevista varia de cinco a sete anos de prisão, em julgamento comum, sem a participação de um corpo de jurados.


A decisão gerou frustração e revolta entre familiares das vítimas e movimentos que pediam punição mais severa. Simone Ferreira, mãe de Nicole e avó de Alice, desabafou em depoimento emocionado, relatando a dor pela perda das duas e criticando o que considera impunidade em casos de violência no trânsito. Para ela, as vidas de seus entes queridos acabaram se tornando “apenas estatística”.


O acidente aconteceu em um trecho movimentado da rodovia, quando o carro conduzido por Carlos Miguel teria se envolvido em uma disputa de velocidade com outro veículo. O segundo motorista, que também participou do racha, firmou um acordo de não persecução penal e, embora não tenha sido condenado à prisão, perdeu o direito de dirigir permanentemente.


A desclassificação do crime de homicídio doloso, que envolve intenção ou assunção do risco de matar, para crime de trânsito, retira o caso da competência do Tribunal do Júri. Para familiares, a medida representa um abrandamento da justiça diante da gravidade do ocorrido.


Relembre o caso


O acidente ocorreu na madrugada de 10 de dezembro de 2023, na BR-369. Imagens de uma câmera de monitoramento registraram dois veículos trafegando em alta velocidade pela rodovia, até que um deles perdeu o controle e capotou. A bebê Alice morreu no local, enquanto a mãe, Nicole Junqueira, de 19 anos, foi socorrida e levada ao Hospital Universitário, mas veio a falecer 24 dias depois.


As apurações indicam a possível participação dos veículos em uma disputa de velocidade, conhecida como racha.