O Ministério Público do Paraná (MP-PR) recomendou a adoção de medidas para reduzir os atropelamentos de animais silvestres nas rodovias que margeiam o Parque Estadual Mata dos Godoy, em Londrina.
A recomendação foi emitida pela 20ª Promotoria de Justiça de Londrina e direcionada à Prefeitura, ao Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) e ao Instituto Água e Terra (IAT). A medida é resultado de um procedimento administrativo aberto em 2022 para acompanhar a situação.
Um levantamento técnico apontou que, entre março de 2018 e janeiro de 2019, foram registrados 337 animais atropelados, de 57 espécies diferentes, nas rodovias LA-003, conhecida como Mábio Gonçalves Palhano, PR-538 e outras vias da região.
O estudo identificou ainda seis pontos críticos de atropelamento. Medidas para reduzir os acidentes chegaram a ser validadas pelo IAT, mas levantamentos mais recentes mostram que o problema continua.
Entre novembro e dezembro de 2025, por exemplo, foram registrados 18 animais atropelados nos trechos monitorados. Uma vistoria realizada em março deste ano também identificou desgaste na sinalização existente.
Espécies ameaçadas estão entre as vítimas
A região da Mata dos Godoy é considerada prioritária para a conservação da biodiversidade e abriga animais ameaçados de extinção.
Entre as espécies que podem ser afetadas estão a anta, considerada criticamente em perigo no Paraná, e a onça-parda, classificada como vulnerável.
Além do impacto ambiental, os atropelamentos também representam risco para os motoristas. Dados do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual apontaram 258 acidentes envolvendo atropelamento de animais em 2019 e 283 em 2020. As ocorrências deixaram pessoas feridas e também vítimas fatais.
MP cobra radares e passagem de fauna
Entre as medidas recomendadas à Prefeitura de Londrina estão o reforço da sinalização, a adoção de mecanismos permanentes de redução de velocidade e a elaboração de um projeto para construir uma passagem de fauna sobre o Ribeirão Três Bocas.
Ao DER-PR, o MP recomendou reduzir a velocidade máxima de 60 km/h para 40 km/h nos trechos que atravessam o núcleo do parque, instalar radares fixos eletrônicos e construir passagens de fauna acompanhadas de cercas para direcionar os animais.
Já o IAT deverá fiscalizar o cumprimento das medidas e analisar os projetos apresentados pelos demais órgãos.
Os destinatários têm 30 dias para informar por escrito se vão acatar a recomendação e deverão apresentar cronogramas prevendo a conclusão das obras em prazo máximo de 12 meses.
Caso as medidas não sejam adotadas, o Ministério Público poderá recorrer à Justiça, inclusive com possibilidade de responsabilização civil por dano ambiental.