Segue em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) a mulher de 34 anos que foi resgatada após passar 18 dias em cárcere privado e ser submetida a sessões de tortura, em Rolândia. A vítima, que está internada na Santa Casa de Cambé, permanece em coma induzido e depende de ventilação mecânica para respirar.
O caso, que chama atenção pela gravidade das agressões, foi descoberto quando o próprio marido levou a mulher para visitar familiares em Cambé. Ao perceberem o estado físico e psicológico extremamente debilitado da vítima, os parentes agiram rapidamente e a levaram ao hospital na última quinta-feira.
De acordo com o relatório médico, a mulher apresenta um quadro severo de desnutrição, além de múltiplas fraturas, cortes, arranhões e hematomas em diferentes estágios, o que sugere episódios de violência contínua ao longo do período de cárcere.
Inicialmente, a paciente apresentou uma leve estabilização no quadro clínico, porém houve piora durante o fim de semana, o que levou a equipe médica a realizar a intubação imediata para garantir a respiração da paciente.
A Polícia Civil já está em posse de um relatório detalhado sobre as lesões para dar sequência às investigações do caso, que é tratado como tentativa de feminicídio.
Segundo as autoridades, os investigadores trabalham agora na coleta de provas sobre o período de 18 dias em que a vítima teria sido mantida em cárcere, impedida de deixar a residência e submetida a agressões constantes.
O marido da vítima, que foi preso, é o principal investigado no caso. As diligências policiais seguem em andamento, inclusive para garantir a segurança dos familiares que ajudaram no resgate da mulher.
O depoimento da vítima será considerado fundamental para o avanço do inquérito, mas só poderá ser colhido quando houver melhora nas condições clínicas da paciente.
Apesar da gravidade do quadro, a equipe médica informou que a paciente permanece estável dentro da gravidade, ainda sem previsão de alta hospitalar ou retirada da sedação.