Cidade

Na abertura do Festival de Dança, Ballet de Londrina reconta a história da cidade

22 out 2026 às 15:41

O Ballet de Londrina abre os trabalhos do Festival de Dança no palco do Teatro Ouro Verde nesta sexta-feira (23), às 20 horas, com o aclamado “A vida é um dia”, montagem que revisita a historiografia oficial do Município e anuncia seu centenário. Com música ao vivo interpretada pela Orquestra Bravi, a apresentação é gratuita – um presente do Festival à cidade para celebrar a abertura do ciclo de nove dias dedicados à arte do movimento, até 31 de outubro. Os ingressos on-line esgotaram-se já no primeiro dia de distribuição, tamanha a procura do público, mas haverá uma porcentagem para retirada na portaria do teatro a partir de uma hora antes do início do evento. O Festival também formará fila de espera para acolher em possíveis lugares vagos todos os que queiram assistir à apresentação.


O Festival é uma produção da APD – Associação dos Profissionais de Dança de Londrina e Região Norte do Paraná, com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura – Prefeitura Municipal de Londrina. Também é fruto de projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura – Governo Federal, e realização da HotMilk e PUC-PR. O apoio é da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina. 



A trama 


Multiplicada entre as várias bailarinas do elenco, “A vida é um dia” traz à cena uma senhora quase centenária, num leito de UTI em meio à pandemia da covid-19. Entre recordações e alucinações, ela caminha regressivamente para outras épocas de sua vida, como o momento áureo da vanguarda artística, a geada de 1975, até chegar ao processo de colonização de Londrina. Baseado na obra de Renato Forin Jr., que também assina a direção artística e a cenografia, a montagem atravessa paisagens como o Lago Igapó e a Rua Jaçanã, uma das primeiras vias fundadas na Vila Yara.


É simbólico que a edição 2026 do Festival de Dança seja aberta por uma das estreias mais marcantes dos trinta e dois anos de história do Ballet de Londrina, uma companhia intrinsicamente envolvida na vida cultural do município. A trajetória do Ballet também se confunde com a da construção do Festival, por isso a opção por ofertar “A vida é um dia”, de forma gratuita, na abertura da edição.


“Na ocasião de sua estreia, no último agosto, a espetáculo se tornou instantaneamente um marco na trajetória do Ballet de Londrina por alguns fatores. Primeiro, por ser uma obra que ressignifica e repensa a história desse lugar, desse solo que sustenta o Ballet, mas também pelo fato de unir linguagens a partir da dança. A música ao vivo, interpretada pela Orquestra Bravi; a teatralidade, que trabalhei com muita sutileza no processo de direção; a plasticidade, tanto dos figurinos do Cássio Brasil quanto da cenografia, além de elementos como as projeções, que também entram em cena, fazem do espetáculo uma experiência completa, numa proporção que anuncie, de fato, o centenário de Londrina – uma cidade tão jovem, mas tão cheia de contradições, com tantos elementos ainda a serem refletidos e repensados pelo seu povo”, declara Renato, também curador e coordenador de comunicação do Festival de Dança de Londrina.



Os movimentos 


Alex Soares está à frente do desafio de coreografar os dez dançarinos de diferentes gerações do Ballet de Londrina tanto em momentos de música quanto nos de recital, mas também em átimos de silêncio e de conjugação das duas linguagens durante o espetáculo. Os movimentos reforçam a mecânica de ação e reação dos corpos e concebem interessantes formações coletivas que lembram, em alguns momentos, uma geografia ou uma arquitetura em que passeia a protagonista. Soares construiu a coreografia em duas temporadas em Londrina, em novembro do ano passado e em junho deste ano.  


“Conceitualmente, quis que o espetáculo trabalhasse com contrastes, o que é característica da personalidade da mulher e, extensivamente, da identidade da babel que é Londrina. Imagine uma cidade, na década de 1950, com prédios de arquitetura modernista arrojada, como os de Vilanova Artigas e Cascaldi, fundados no barro da terra vermelha, onde sequer havia asfalto”, destaca o diretor artístico. Essas antíteses transparecem principalmente  nas cores da montagem, que vão do preto profundo ao branco, passando por tons de chumbo e terra.


O figurino, assinado pelo palista por Cássio Brasil, emprega mais de 50 peças produzidas especialmente para a ocasião – o maior que a companhia já utilizou. A direção do Ballet de Londrina é de Marciano Boletti e a idealização do projeto é da produtora e assistente de direção Danieli Pereira, coordenadora geral do Festival de Dança de Londrina.


As músicas autorais de “A vida é um dia” são dos londrinenses Daniel Simitan e Erisla Pastore e foram compostas na forma de poemas sinfônicos inspirados pelos quatro textos de Forin Jr. datados de 2020 e 2021, quando participaram do projeto “Londrina em 4 Atos”, proposto pela Orquestra Bravi. É este mesmo conjunto acadêmico de câmara, formado por instrumentos eruditos de cordas friccionadas, que interpreta ao vivo a obra no Teatro Ouro Verde, sob a regência de Jhonathan Santos e com produção de Thalita Alcântara. 


Serviço:


ABERTURA - Festival de Dança de Londrina

A vida é um dia

Ballet de Londrina, com participação da Orquestra Bravi

Dia 23 de outubro 

Às 20 horas

Teatro Ouro Verde 

(Rua Maranhão, 85)

Ingressos: gratuitos, mediante retirada na bilheteria do teatro (limite de três por CPF), a partir das 16 horas do dia 23

*Ingressos para retirada pelo Sympla estão esgotados 

Classificação indicativa: 14 anos

Tempo de duração: 60 minutos


Serviço geral:


Festival de Dança de Londrina 2026

De 23 a 31 de outubro

Espetáculos, oficina e conferência

Programação: 

festivaldedancadelondrina.art.br

@festivaldedancadelondrina

Ingressos online: Portal Sympla: sympla.com.br/festivaldedancadelondrina

Ingressos presenciais: Teatro Ouro Verde - Bilheteria (Rua Maranhão, 85) – a partir das 16 horas apenas nos dias de apresentação no local

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