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Onça-pintada capturada em área urbana de Foz do Iguaçu é solta no Parque Nacional do Iguaçu

04 ago 2026 às 09:18

A onça-pintada Tape'ỹ, que mobilizou equipes de diversas instituições após ser encontrada em uma área urbana de Foz do Iguaçu no fim de junho, foi devolvida à natureza. O animal foi solto no Parque Nacional do Iguaçu após passar por tratamento veterinário, avaliações clínicas e receber alta da equipe técnica responsável pelo acompanhamento.


O macho foi capturado em segurança depois de circular pelo bairro Três Lagoas, em uma operação conjunta que envolveu instituições brasileiras e argentinas. Desde então, permaneceu sob os cuidados da equipe veterinária do Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu Binacional.


Durante o período de recuperação, Tape'ỹ passou por exames clínicos e laboratoriais, recebeu tratamento para os ferimentos identificados no momento da captura e foi monitorado diariamente. Segundo os especialistas, os resultados confirmaram que o animal apresentou boas condições de saúde para retornar ao habitat natural.


Além da recuperação física, a equipe observou que a onça manteve comportamento compatível com um animal silvestre, alimentando-se normalmente e demonstrando capacidade para sobreviver novamente na floresta.


Antes da soltura, Tape'ỹ recebeu um colar de monitoramento por GPS. O equipamento permitirá acompanhar seus deslocamentos nos próximos meses, fornecendo informações sobre sua adaptação ao ambiente, o uso da área e contribuindo para futuras ações de conservação da espécie.


A soltura foi realizada por equipes do Projeto Onças do Iguaçu, Parque Nacional do Iguaçu/ICMBio, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio), Itaipu Binacional e instituições parceiras. Após deixar a caixa de transporte, o animal caminhou em direção à floresta e foi acompanhado visualmente até desaparecer na mata.


Segundo o chefe do CENAP/ICMBio, Rogério Cunha de Paula, o retorno da onça ao Parque Nacional representa o desfecho bem-sucedido de uma operação complexa.


"O retorno de Tape'ỹ ao Parque Nacional do Iguaçu representa o encerramento bem-sucedido de uma operação que começou em uma situação bastante delicada, envolvendo um grande felino em área urbana. Todas as decisões tomadas ao longo desse processo foram fundamentadas em critérios técnicos, sempre priorizando o bem-estar do animal e a segurança da população."


O gestor da área de Ciência e Pesquisa do Parque Nacional do Iguaçu, Marius Belluci, destacou que o episódio reforça a importância da preservação ambiental e da criação de corredores ecológicos para permitir o deslocamento seguro da fauna silvestre entre áreas protegidas.


O caso chamou a atenção dos especialistas por ser considerado incomum. Segundo as equipes envolvidas, há mais de 20 anos não havia registros confirmados de onças-pintadas na região do lago de Itaipu onde Tape'ỹ foi encontrado. Ainda não é possível determinar de onde o animal veio nem o que o levou a atravessar uma área urbana.


As instituições também destacaram a colaboração da população durante toda a operação. As informações repassadas por moradores foram fundamentais para localizar o felino, realizar sua captura com segurança, promover seu tratamento e, agora, possibilitar seu retorno à natureza.


O nome Tape'ỹ foi escolhido logo após a captura. De origem tupi, significa "aquele que perdeu o caminho", em referência à trajetória incomum que levou o animal até a cidade. Com a soltura, a expectativa dos pesquisadores é que ele volte a percorrer os caminhos da floresta, contribuindo para a conservação da espécie no Parque Nacional do Iguaçu.

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