Câmeras de segurança, cerca elétrica e até placas alertando sobre cães bravos. Para quem vive no Bairro Cancelli, em Cascavel, medidas como essas deixaram de ser apenas uma opção e passaram a fazer parte da rotina de quem tenta se proteger.
A sensação de insegurança é relatada por moradores que convivem com registros de tráfico de drogas e outros crimes na região.
Leonice é uma das moradoras que conhece de perto essa realidade. Para ela, o medo acaba mudando hábitos e a forma como a população utiliza os espaços do próprio bairro.
Ela não é a única. Outra moradora, que preferiu não ser identificada, relata experiências traumáticas envolvendo assaltantes e afirma que a preocupação aumenta principalmente durante a noite.
A residência dela fica próxima a um dos locais que voltou a ser alvo de uma operação policial.
Na quarta-feira (26), a Operação Elo Forte mobilizou equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal para combater o tráfico de drogas em Cascavel. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em diferentes pontos da cidade, incluindo a Rua Visconde de Guarapuava, no Cancelli.
Ao todo, 12 pessoas foram encaminhadas à Delegacia. Seis acabaram autuadas em flagrante por tráfico de drogas e outras infrações, enquanto outras seis responderão por posse de entorpecentes para consumo pessoal. Durante a operação, foram apreendidas porções de maconha, crack e cocaína.
A ação faz parte de uma estratégia que vem sendo realizada periodicamente pelas forças de segurança para combater o tráfico e, consequentemente, crimes que podem estar associados à atividade criminosa, como furtos, roubos e homicídios.
Mas, para quem mora no bairro, uma operação policial não significa que o medo desapareça imediatamente.
Mesmo depois da ação, moradores das proximidades ainda relatam preocupação com a segurança e com a possibilidade de que os problemas voltem a aparecer.
A presença das forças de segurança é importante para combater organizações criminosas e retirar drogas das ruas. Mas permanece uma questão para além das prisões e apreensões: como transformar uma operação policial em uma sensação concreta de segurança para quem vive diariamente no bairro?
Mais policiamento ostensivo, iluminação, ocupação dos espaços públicos, ações sociais e acompanhamento permanente das áreas consideradas vulneráveis podem fazer parte dessa resposta.
Porque, para o morador, segurança não é apenas saber que uma operação aconteceu. É poder sair de casa, caminhar pela rua e voltar para casa sem sentir que está correndo um risco.