O Ministério Público de São Paulo deflagrou, nesta sexta-feira, a Operação Shylock, que investiga uma organização criminosa suspeita de praticar agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. A ação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas, em conjunto com as polícias Militar e Civil.
Segundo as investigações, o grupo concedia empréstimos particulares com imóveis como garantia, por meio de contratos de alienação fiduciária. Para ocultar os verdadeiros beneficiários das operações, os investigados utilizariam empresas, pessoas interpostas e mecanismos de ocultação patrimonial.
As apurações apontam que a organização atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre os responsáveis pela captação de vítimas, negociação dos empréstimos, formalização dos contratos, administração financeira, cobrança e ocultação dos valores.
Até o momento, foram identificadas aproximadamente 50 operações suspeitas envolvendo pelo menos 62 vítimas. Desse total, 18 pessoas teriam perdido os imóveis em decorrência da atuação do grupo.
As investigações também identificaram movimentações financeiras suspeitas, uso de empresas de fachada e sucessivas transferências patrimoniais que, segundo o Ministério Público, teriam sido utilizadas para dissimular recursos obtidos ilegalmente.
Mandados e bloqueio de bens
Para cumprir as medidas autorizadas pela Justiça, foram expedidos 11 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Também foram determinadas medidas de bloqueio de bens e valores, sequestro de imóveis e afastamento cautelar de função pública.
As buscas são realizadas principalmente em Campinas, em endereços residenciais e empresariais nos bairros Cambuí, Jardim Chapadão, Parque Prado, Nova Campinas, Nova Europa, Taquaral, Vila dos Plátanos, Vila Lemos e Vila São Bernardo.
Entre as medidas cumpridas está a prisão de um escrevente de cartório de notas de Campinas.
A operação tem como objetivo interromper as atividades do grupo, preservar provas, identificar os caminhos percorridos pelo dinheiro e localizar os beneficiários finais das operações. O Ministério Público também busca evitar a continuidade dos crimes e recuperar bens supostamente adquiridos com recursos ilícitos.
Origem do nome
O nome da operação faz referência a Shylock, personagem da peça O Mercador de Veneza, de William Shakespeare. Na obra, ele é retratado como um agiota que empresta dinheiro mediante garantias rigorosas e cobra as dívidas de forma implacável.