Cidade

Operação mira grupo do setor de combustíveis e cumpre mandados em Cascavel

28 mai 2026 às 07:40

Cascavel está entre as cidades alvo da Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Receita Federal, Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco, e diversos órgãos de fiscalização e segurança pública.


A ação é considerada a segunda fase da Operação Carbono Oculto, apontada pelas autoridades como a maior operação contra o crime organizado já realizada no país em termos de cooperação institucional e amplitude.


Em Cascavel, equipes cumpriram mandados de busca e apreensão relacionados às investigações sobre um sofisticado esquema de fraudes, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis.


Ao todo, estão sendo cumpridos 59 mandados em cinco estados brasileiros, incluindo cidades do Paraná, como Cascavel e Paranavaí.


Segundo as investigações, o grupo utilizava fintechs que operavam como verdadeiros bancos paralelos para movimentar recursos de origem ilícita e dificultar o rastreamento do dinheiro.


As apurações apontam que seis fintechs identificadas após a primeira fase da operação movimentaram juntas mais de R$ 26 bilhões entre os anos de 2022 e 2025.


De acordo com a Receita Federal, essas instituições eram usadas para compensações financeiras entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas e fundos de investimento ligados à organização criminosa.


Entre as irregularidades identificadas estão depósitos milionários em espécie, utilização de “contas bolsão” para ocultação de recursos e operações suspeitas com criptoativos.


As autoridades também investigam um esquema de adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica.


Segundo os investigadores, empresas de fachada simulavam compras do produto para uso industrial, mas o material era desviado para terminais de combustíveis e misturado à gasolina vendida em postos.


Somente nesse esquema, os prejuízos estimados aos cofres públicos chegam a cerca de R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em dois anos.


A investigação também aponta que os valores obtidos com as fraudes eram direcionados para fundos de investimentos usados para ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos beneficiários finais.


Os quatro fundos investigados possuem atualmente patrimônio estimado em mais de R$ 205 milhões.


Participam da operação cerca de 135 servidores da Receita Federal, além de equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, ANP, Sefaz/SP e outros órgãos parceiros.


As investigações seguem em andamento para identificar novos participantes do esquema criminoso.

Veja Também