Mais uma vez, a Educação de Cascavel virou notícia policial. Pais de alunos do CMEI Geraldo Figueiredo, no bairro Santa Cruz, começaram a semana apreensivos após a prisão de uma monitora suspeita de agredir crianças dentro da unidade. A servidora foi presa pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria) na última sexta-feira (21).
Nesta segunda-feira (24), pais levaram os filhos para a unidade com receio e insegurança. Em vez da despedida habitual, muitos fizeram questão de conversar com a direção em busca de respostas sobre a prisão da profissional.
Entre os principais questionamentos está a demora para o afastamento da monitora. Segundo informações apresentadas pela Secretaria Municipal de Educação, a situação havia sido comunicada aos órgãos responsáveis ainda em abril, mas o afastamento ocorreu somente em agosto.
Para os pais, o intervalo de aproximadamente quatro meses causa revolta e levanta o debate sobre a necessidade de mudanças nos protocolos adotados pelo município em casos envolvendo possíveis agressões contra crianças.
No início da manhã, a Guarda Patrimonial permaneceu em frente ao CMEI para reforçar a segurança dos servidores que trabalham na instituição.
O caso veio à tona após a prisão da monitora pelo Nucria. Segundo as investigações, a mulher teria puxado crianças de três anos pelos braços e impedido que uma delas se sentasse em um tatame. A criança que teria sido vítima da situação está atualmente acolhida em um lar provisório e, conforme relatado na investigação, apresentava comportamento de autolesão.
A demora no afastamento também chama atenção diante de mudanças adotadas pelo município após o caso envolvendo o chamado “Professor Monstro”, que gerou investigações, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e alterações nos protocolos de apuração de condutas de servidores.
Entre as medidas adotadas posteriormente está a criação da função de corregedor municipal, responsável por coordenar procedimentos relacionados à investigação da conduta de servidores públicos.
Também foi sancionada uma lei municipal que prevê o afastamento preventivo de servidores que respondem a processos administrativos disciplinares, com o objetivo de impedir que permaneçam no ambiente de trabalho durante a apuração.
Diante do novo caso, porém, fica o questionamento sobre quais protocolos foram aplicados e por que o afastamento da monitora não ocorreu imediatamente após a comunicação dos fatos.
Em relação a outras servidoras que também estariam sendo investigadas, a secretária municipal de Educação, Gislaine Buraki de Andrade, afirmou que aguarda as conclusões do Nucria. Segundo ela, todas as informações disponíveis foram encaminhadas aos órgãos competentes e o município acompanha o andamento da investigação.
A Comissão de Educação da Câmara de Vereadores também acompanha o caso. Uma reunião com a Secretaria Municipal de Educação deve ocorrer nesta segunda-feira para esclarecer quais medidas foram adotadas desde que a denúncia chegou ao conhecimento do município.
Enquanto a investigação segue sob sigilo, pais e responsáveis aguardam respostas sobre o que aconteceu dentro da unidade e, principalmente, sobre quais medidas serão adotadas para garantir a segurança das crianças.