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Paulo Vitor Poloni ressoa a pluralidade do país em novo álbum

24 jul 2026 às 16:16

O quarto disco de carreira de Paulo Vitor Poloni traz na capa o seu inconfundível sorriso multiplicado em vários flashs. É a tradução visual da sonoridade de um álbum cheio de humor, que passeia por “poéticas, melodramas e um acalanto”, como diz o slogan, e por diferentes modos de entoação do canto brasileiro, nos quais o artista tem se especializado ao longo de sua trajetória – seja nos palcos, na pesquisa e no ensino.


“Cantando o meu Brasil” - assim mesmo, no gerúndio íntimo da nossa língua - sela parcerias na composição e na interpretação com músicos nacionais, refletindo os trânsitos que Poloni tem feito, ao transformar Londrina em ponto de parada para célebres cantores da MPB. As dez canções do novo álbum de MPB já podem ser acessadas nas plataformas de streaming, como Spotify, Deezer, Youtube Music, ou por meio do seu site oficial. O projeto foi patrocinado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina, e tem apoio da Rádio UEL FM.


Conhecido por sua relação com o samba, Paulo diz que foi na pandemia que despertou o desejo de compor outros estilos, logo após lançar “Já to no samba”, de 2019, exclusivamente dedicado ao ritmo. “‘Cantando o meu Brasil’ carrega uma vontade de entoar os gêneros com os quais me identifico e que estavam nascendo a partir dessas composições. A primeira que surgiu foi um forró - então eu já entendi que o disco não seria só de sambas. A segunda que veio foi um choro, que compus dedicado à Silvia Borba. Depois nasceu um maxixe; e aí, uma valsa. E os sambas, que obviamente apareceriam no álbum”, explica.


O forró ao qual se refere é a faixa que abre o disco, “A paixão”, em que aborda as contradições deste sentimento “traiçoeiro” e “feiticeiro” com humor: “Cumpade disse que quem anda nessa vida / sem chamego, sem suspiro e sem uns cheiro no cangote / Tá de fricote, é sacerdote, tem pouco dote / ou não achou quem lhe suporte”.


Já o choro dedicado à amiga e cantora recifense radicada em Londrina, Silvia Borba, chamado “Canto bendito”, é uma ode ao ofício do intérprete, que transmuta chagas e mágoas que deveras sente em instrumento “pra consolar o aflito / pra confortar um irmão”. A canção foi apresentada em primeira mão em live com Teresa Cristina durante a pandemia, e a emocionou.


O maxixe “Quando ioiô vai pro samba”, com interpretação dividida com Alice Passos, parece suscitar a encantada brasilidade de Caymmi, ao descrever o encontro amoroso de um ioiô, de “rebolado antiquado”, com uma iaiá enviuvada, de “requebrado desengonçado”.


A valsa “Acalanto”, que coloca sua voz em uníssono com Lívia Nestrovski, fecha o álbum com um afago poético que anuncia um tempo vindouro de relações mais puras: “Planta um amanhã / cheio de esperança / feito de amor e amizade e fim”.


Além das duas cantoras ligadas ao universo da música popular brasileira, duas outras vozes emblemáticas do samba nacional dividem a interpretação de faixas com Paulo Vitor. O carioca Alfredo del Penho participa de “Tempo da Delicadeza” (composição de Poloni com outro carioca, Breno Góis), canção que também anuncia a esperança de um momento de superação do luto e da morte – como no intertexto com Chico Buarque – para a plenitude de uma hora encantada, em que cantaremos e “brindaremos o ideal”.


Moyseis Marques, do Rio de Janeiro, empresta a voz ao partido alto amoroso “Se não for você” – canção feita a muitas mãos por Poloni com os músicos mineiros Marina Cabizuca, Lucas Fainblat e Fábio Junior Caetano. Completa a parceria nas composições “Frevo”, dividida com Bruno Góis, que suscita a sonoridade e a ambiência das ruas pernambucanas, brincando com a aceleração do ritmo no compasso de um coração apaixonado.


Trânsitos artísticos - Para Paulo Vitor Poloni, estes encontros musicais são reflexo dos últimos anos, em que se dedicou a trazer parceiros e amigos da cena musical brasileira para Londrina por diferentes projetos. “Muita gente já passou por aqui e eu fiquei com vontade que um pedacinho dessas pessoas estivesse neste meu trabalho. Eu sinto que é uma consolidação desse momento da minha trajetória, fruto disso que eu tenho construído com as minhas composições, com os músicos londrinenses e da relação com esses artistas nacionais”.


Além das oito faixas autorais, todas inéditas, “Cantando o meu Brasil” traz duas criações de outros compositores: a marcha “Rancho das Borboletas”, de Miguel Rabello e Paulo César Pinheiro, já gravada com sucesso pelo primeiro, e “Papel Carbono”, balada de amor inédita de Breno Ruiz e Paulo César Pinheiro. “Eu me sinto sempre mais intérprete do que compositor. Eu tenho um prazer enorme em cantar um repertório que não seja meu. E acho que cantar outras coisas ajuda a localizar a minha obra, dialoga com o que componho”, opina.


No show de lançamento do disco, que acontece dia 8 de agosto, às 17h30, na Concha Acústica de Londrina, ele concretiza ainda mais este desejo ao costurar ao repertório lançado conhecidas canções brasileiras “para o público cantar junto”, de Chico Buarque, Dorival Caymmi e de outros autores de sambas eternos.


Com relação à base instrumental, o novo álbum é conduzido pelo violão de Gustavo Gorla, com arranjos de Guilherme Villela. Traz ainda Gabriel Zara no baixo, Bruno Cotrim na bateria, o próprio Villela no bandolim e cavaquinho, Fabrício Martins no piano, Nyolas Horn na percussão, Carlos Pereira na cuíca, Miguel Santos na sanfona, Júlio Erthal nos sopros, Fernanda Monteiro no cello e as vozes de Natália Poloni, Marcelle Terra e Rodolfo Rainer nos coros. As gravações foram feitas no estúdio Nosso Canto, com produção musical de Fabrício Martins. A direção de produção é de Thalita Alcântara.


Serviço: “Cantando o meu Brasil” Novo álbum de Paulo Vitor Poloni Disponível nas plataformas de streaming Informações: www.paulovitorpoloni.com

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