A Polícia Federal apresenta nesta quinta-feira (6) o relatório final da investigação sobre a queda do avião da Voepass, que matou 62 pessoas em agosto de 2024. O documento reúne as conclusões do inquérito policial e do laudo pericial elaborado pela corporação, com mais de 200 páginas.
A investigação aponta que uma falha no sistema de proteção contra gelo da aeronave se repetia há dias antes do acidente. Segundo a Polícia Federal, o problema estava relacionado ao sistema de degelo da asa direita e não havia sido registrado pelas tripulações no diário de bordo.
Conforme o laudo, caso a falha tivesse sido comunicada corretamente, a aeronave não poderia ter realizado novos voos até que o reparo fosse concluído. No voo anterior ao acidente, já com os mesmos pilotos que morreram na tragédia, o alerta do sistema teria sido acionado oito vezes.
As transcrições das conversas na cabine também foram analisadas pelos investigadores. Em um dos momentos, os pilotos comentam sobre a presença de gelo durante o voo.
“Ó lá o gelo, o gelo foi embora agora, finalmente, escutei um barulho aqui, foi o gelo que voou”, disse um dos pilotos.
Pouco depois, a tripulação voltou a receber alertas relacionados ao sistema de degelo. Durante a conversa, os pilotos comentaram sobre a tentativa de evitar áreas de formação de gelo e sobre o funcionamento da aeronave.
“Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá, Herbie, filme bem antigo”, afirmou o comandante.
Na sequência, os pilotos relataram a presença de gelo e mencionaram uma falha no equipamento.
“Bastante gelo [ali]”, disse o copiloto.
“Essa bosta não tá funcionando, né?”, respondeu o comandante.
Segundo a investigação, às 16h20, durante a aproximação para pouso, novos alertas foram registrados. A torre de controle tentou contato com a aeronave após solicitar informações sobre a rota, mas, às 16h22min02s, o avião deixou de responder.
O laudo da Polícia Federal também analisou voos anteriores da aeronave e identificou registros do mesmo problema no sistema de degelo em pelo menos três operações antes do acidente.
Para os investigadores, a queda ocorreu a partir de uma combinação de fatores, incluindo falhas recorrentes no sistema de degelo, operação em condições de formação de gelo, decisões operacionais inadequadas e falhas nas barreiras de segurança.
Após a apresentação, o relatório será encaminhado ao Ministério Público Federal, que deverá avaliar as conclusões da investigação. O MPF poderá apresentar denúncia à Justiça Federal, solicitar novas diligências ou pedir o arquivamento do caso.
A conclusão da investigação policial ocorre cerca de duas semanas após a divulgação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), responsável pela análise técnica do acidente.