A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a queda do avião da Voepass e indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia aérea por suspeita de envolvimento nas falhas que contribuíram para o acidente. Entre os nomes citados estão o proprietário da empresa, José Luiz Felicio Filho, e o diretor de manutenção, Eric Cônsoli.
Segundo a investigação, os indiciados tiveram os passaportes suspensos e estão impedidos de deixar o país. A Justiça Federal aceitou o pedido para manter os investigados no Brasil enquanto o Ministério Público Federal (MPF) analisa as conclusões do inquérito e decide quais medidas serão adotadas.
A queda da aeronave aconteceu em agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo. O avião, que fazia o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), caiu com 62 pessoas a bordo. Não houve sobreviventes.
O relatório da Polícia Federal aponta que o acidente foi provocado por uma combinação de fatores, incluindo condições meteorológicas, falhas técnicas e decisões operacionais consideradas inadequadas.
Um dos principais pontos levantados pela investigação foi a existência de uma suposta “cultura de não reporte” dentro da companhia, na qual problemas técnicos não seriam registrados de forma adequada. Conforme a PF, essa prática poderia ter levado aeronaves a continuarem operando mesmo diante de falhas que exigiam avaliação e manutenção.
A investigação também apontou problemas relacionados ao sistema de degelo da aeronave, que teria apresentado falhas em voos anteriores ao acidente. Para a Polícia Federal, a ausência de comunicação adequada sobre essas ocorrências contribuiu para que o avião realizasse o voo em condições de risco.
O comandante Luiz Cláudio, piloto com mais de 44 anos de experiência, sendo seis deles na Voepass, também foi citado no relatório. Segundo ele, a falta de mudanças nos protocolos de segurança pode permitir que novos acidentes aconteçam na aviação brasileira.
Familiares das vítimas acompanharam a divulgação das conclusões da investigação e afirmaram que continuam buscando responsabilização pelos envolvidos no acidente.
Entre os crimes apontados pela Polícia Federal estão atentado contra a segurança do transporte aéreo, incluindo a modalidade qualificada pela destruição ou queda da aeronave com resultado morte, além de falsidade ideológica.
Com a conclusão do inquérito policial, caberá agora ao Ministério Público Federal avaliar as provas reunidas e decidir se apresenta denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do caso. O eventual processo criminal só terá início caso a Justiça aceite uma denúncia formal apresentada pelo MPF.