Cidade

Prefeitura de Londrina retira parquinhos adaptados em praça

02 jul 2026 às 16:05

Um mês após a veiculação de uma reportagem que denunciava o estado de abandono e a deterioração dos parquinhos adaptados em Londrina, as estruturas que ainda restavam nos locais foram completamente retiradas pela prefeitura. O cenário atual nos pontos que deveriam garantir o lazer inclusivo é de desolação para as famílias que dependem desses espaços públicos.


Na Praça Nishinomiya, localizada na zona leste da cidade, a mudança na paisagem é drástica. Embora o balanço projetado para cadeirantes tenha passado por reforma e voltado a funcionar, os brinquedos sensoriais e os demais equipamentos recreativos foram removidos pela administração municipal. Alvos frequentes de vandalismo ao longo dos anos, os materiais se deterioraram a ponto de impossibilitar a recuperação, deixando a área vazia.


O problema se repete em outras regiões do município. O mesmo processo de remoção dos brinquedos quebrados ocorreu nos outros dois parques adaptados da cidade: no Conjunto José Giordano, na zona norte, e no Aterro do Lago Igapó, na zona sul.


O impacto social da perda dos espaços inclusivos


Para as famílias de crianças com deficiência (PCD), a retirada dos equipamentos representa uma perda que vai muito além da ausência de uma opção de lazer. Significa o encolhimento das oportunidades de convivência, desenvolvimento motor e socialização em ambientes comunitários.


Diferente dos parquinhos tradicionais, as estruturas adaptadas são projetadas ergonomicamente para atender crianças que enfrentam limitações físicas ou intelectuais e que, por isso, não conseguem usufruir dos balanços e escorregadores comuns. A manutenção desses locais é vista como uma obrigação de direitos básicos de cidadania.


Apelo por preservação e responsabilidade coletiva


A diretora pedagógica da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE Londrina), Wilmara Cayres, ressalta que a existência e a integridade desses brinquedos são fundamentais para que as diretrizes de acessibilidade continuem cumprindo sua função social e pedagógica. No entanto, ela faz um alerta para a necessidade de conscientização coletiva.


  • Uso prioritário: Os brinquedos devem ser utilizados exclusivamente pelo público-alvo para evitar sobrecarga;

  • Dever cívico: A preservação das estruturas é uma responsabilidade de toda a sociedade, que deve denunciar depredações.


A demanda que chega até o poder público caminha no sentido oposto ao das remoções. Entre os pais e cuidadores, o apelo é para que, além da reforma e devolução imediata dos equipamentos retirados, o município invista na descentralização e ampliação dessas estruturas em todas as regiões de Londrina.

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