Em entrevista ao Tempo Quente, o secretário municipal de Assistência Social, Cláudio Mello, anunciou a intenção de criar um programa integrado para o atendimento à população em situação de rua. O projeto prevê a união de políticas de assistência, saúde e segurança pública para oferecer suporte humanizado. A prefeitura identificou 211 pontos de concentração na cidade que passarão por um censo para embasar as próximas ações do governo.
A equipe de abordagem social realiza acompanhamentos sistemáticos, mas esbarra na recusa de muitos usuários em deixar as ruas. Segundo a diretora de proteção social especial, Carolina Fávaro, a liberdade e o rompimento de vínculos familiares são os principais motivos da resistência ao acolhimento institucional. "O nosso trabalho é identificar e tentar resgatar esses vínculos. Quando não conseguimos, tentamos dar suporte para a pessoa superar essa situação", afirmou a diretora.
O município reconhece que não possui vagas em abrigos para todas as pessoas em situação de rua, caso houvesse uma aceitação em massa imediata. Atualmente, as estimativas variam entre 700 e 1.000 pessoas vivendo nestas condições em Londrina. O secretário ressaltou que a legislação federal proíbe a retirada compulsória de cidadãos e de seus pertences, o que exige um trabalho de convencimento e persistência das equipes.
A integração com a área da saúde ocorre por meio do programa Consultório na Rua, que atende demandas de saúde mental e dependência química. A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) também colabora na limpeza dos espaços públicos após o trabalho educativo da assistência social. O secretário orienta que a comunidade ajude acionando as equipes de abordagem ao identificar novas situações de vulnerabilidade, evitando julgamentos de valor sobre os usuários.