Moradores da comunidade Rio 47, na área rural de Cascavel, enfrentam um problema que tem causado prejuízos e preocupação: a falta de energia elétrica. Em alguns casos, o fornecimento chega a ficar interrompido por até três dias consecutivos, comprometendo a produção e o dia a dia de quem vive no campo.
A comunidade abriga cerca de 42 famílias, muitas delas instaladas na região há mais de 50 anos e que dependem diretamente da atividade rural para sobreviver. Nos últimos tempos, porém, os produtores afirmam que as perdas não estão ligadas ao clima ou ao mercado, mas sim às constantes falhas no fornecimento de energia.
Sem eletricidade, atividades essenciais ficam comprometidas. A produtora Adelina, que trabalha com produção de leite, conta que quando a energia cai precisa realizar a ordenha de forma manual. A prática, além de mais demorada, pode provocar mastite, uma inflamação nos mamilos das vacas, trazendo riscos para os animais e prejuízos para a produção. Muitas vezes o leite acaba azedando antes mesmo de ser armazenado, gerando perdas e despesas extras com atendimento veterinário.
Já na propriedade de Maria, a preocupação é com a criação de peixes. A piscicultura depende de equipamentos elétricos para manter a oxigenação da água. Quando o sistema para de funcionar, os animais ficam sem oxigênio e podem morrer rapidamente.
Os moradores relatam que há cerca de um ano chegaram a organizar um abaixo-assinado pedindo melhorias no serviço. O problema teria sido resolvido por um período, mas voltou a ocorrer recentemente. Além dos prejuízos financeiros, a situação também tem causado desgaste emocional entre as famílias que dependem da produção rural.
A falta de energia também afeta o abastecimento de água na comunidade. Como as propriedades utilizam bombas elétricas, quando a luz acaba os moradores ficam sem acesso à água para as atividades básicas do dia a dia.
Cansados da situação e da falta de respostas da Copel, os moradores procuraram a imprensa em busca de ajuda. A principal reivindicação é por um serviço mais estável e por soluções definitivas para o problema.
Casos semelhantes também foram registrados em outras cidades do Oeste do Paraná. Em Toledo, por exemplo, produtores rurais perderam cerca de 30 toneladas de peixes após oscilações no fornecimento de energia. Sem o funcionamento dos equipamentos de oxigenação, os peixes morreram, gerando um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 250 mil.
Diante desse cenário, produtores da região cobram providências para evitar que as falhas no fornecimento continuem comprometendo a produção e a renda das famílias do campo.