Produtores de Tupãssi estão contabilizando prejuízos que não são pequenos. Na semana passada, mostramos o caso de uma propriedade que perdeu mais de 900 mil tilápias prontas para o abate. Enquanto as oscilações de energia se tornam rotina no campo, quem produz acaba pagando a conta — muitas vezes milionária.
A falta de luz virou sinônimo de pesadelo e insegurança, afetando diretamente a base da economia da região. Aviários funcionam no limite e dependem de geradores para manter a produção.
Os produtores já não dormem tranquilos. Vivem em alerta, aguardando o próximo alarme indicar mais uma queda de energia.
Daniel, por exemplo, tem três aviários com cerca de 35 mil frangos cada. Para manter a estrutura funcionando durante os picos e quedas de energia, ele consome cerca de mil litros de óleo diesel no gerador. O custo é de aproximadamente 6 mil reais a cada 20 dias.
Mas ele não é o único. Em toda a região de Tupãssi, as falhas no fornecimento já fazem parte da rotina dos trabalhadores do campo.
Na última semana, durante uma das oscilações, um piscicultor perdeu praticamente toda a produção. O prejuízo é estimado em cerca de 9 milhões de reais. Justamente em um período estratégico, quando a quaresma aumenta o consumo de peixes.
Os seis açudes da propriedade abrigavam mais de um milhão de peixes prontos para comercialização.
Osmar, que trabalha com a coleta de peixes, afirma que já perdeu as contas de quantos prejuízos viu os piscicultores acumularem nos últimos meses.
Enquanto isso, o problema se arrasta e, segundo os produtores, ainda parece distante de uma solução definitiva.
Problema vai parar na Justiça e mobiliza outras cidades
A situação não é exclusiva de Tupãssi. Em Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, o caso já virou questão judicial. O Ministério Público do Paraná obteve decisão liminar determinando que a Copel adote medidas para melhorar o fornecimento de energia no município.
A ação foi movida após inúmeras reclamações de quedas e oscilações frequentes, inclusive em dias de clima estável. Segundo o Ministério Público, as falhas têm causado prejuízos à coletividade, comprometendo o funcionamento de serviços essenciais como unidades de saúde e escolas, além de provocar danos a equipamentos, perda de produtos perecíveis e paralisação de atividades econômicas.
A Justiça determinou prazo de 90 dias para que a Copel apresente um plano detalhado de investimentos, manutenção e reparos, com até 12 meses para execução. Na ação principal, o pedido inclui ainda a modernização completa da rede elétrica e indenização de 2 milhões de reais por danos morais coletivos.
Já em Marechal Cândido Rondon, vereadores se reuniram com representantes da Copel para cobrar soluções diante das frequentes quedas de energia, tanto na área urbana quanto rural. A empresa anunciou a previsão de 77 novas obras no município neste ano, além da modernização do sistema em distritos como Porto Mendes e melhorias que também devem beneficiar localidades do interior.
Segundo a companhia, parte dos problemas está relacionada à arborização inadequada, com galhos atingindo a rede elétrica, especialmente em dias de vento forte. A orientação é que os municípios também invistam em planos de arborização urbana para reduzir interrupções.
Enquanto medidas são anunciadas e decisões judiciais são tomadas, produtores e moradores seguem convivendo com a instabilidade no fornecimento e aguardam soluções definitivas.