O corte das horas extras dos professores da rede municipal de Londrina já começa a afetar a rotina de escolas da cidade. Professores relatam falta de profissionais para cobrir as turmas e temem prejuízos no atendimento aos alunos.
Segundo os relatos, diversos professores vinham realizando horas extras além do previsto na legislação e no orçamento. A Prefeitura suspendeu os pagamentos, medida considerada correta do ponto de vista jurídico, mas que, na prática, tem gerado dificuldades para manter o quadro de profissionais nas escolas.
Em algumas unidades, professores estão sendo deslocados de funções administrativas para as salas de aula, principalmente em escolas mais afastadas, distritos e regiões rurais, onde o número de profissionais já seria menor.
De acordo com Andriana Biason, professora da rede municipal, em algumas turmas já há revezamento entre professores. Ela cita como exemplo uma escola em que turmas do 1º e do 4º ano terão duas profissionais se alternando em sala.
A mudança ocorre porque a professora que acompanhava a turma desde o início do ano e já conhecia os alunos não pode mais realizar as horas extras que vinha cumprindo.
Apesar das dificuldades, a professora explica que as aulas não estão sendo suspensas, já que os alunos permanecem nas escolas durante o período de atendimento. Para evitar que as turmas fiquem sem profissionais, a equipe gestora pode assumir temporariamente as salas.
Segundo ela, diretores e coordenadores podem ser deslocados para atuar diretamente com os estudantes, especialmente em escolas com quadro mais reduzido.
Falta de profissionais para alunos com necessidades especiais
Outro problema apontado é a falta de professores de apoio para alunos com necessidades específicas.
Segundo a Andriana, estudantes que possuem laudo ou alguma necessidade particular precisam de um acompanhamento mais individualizado. Enquanto o professor regente atende toda a turma, o profissional de apoio acompanha diretamente o aluno e auxilia na integração dele com os demais estudantes.
A avaliação é de que a atual estrutura de profissionais não seria suficiente para atender toda essa demanda.
Professores defendem estudo sobre o quadro da rede
A professora também defende que a Prefeitura faça um estudo técnico sobre o número de profissionais necessários em cada escola e realize novas contratações.
Segundo ela, o perfil dos alunos e as necessidades dentro das salas de aula mudaram nos últimos anos, e o modelo utilizado para calcular a quantidade de professores precisa acompanhar essa realidade.
A avaliação é de que atualmente o trabalho não se resume a um professor para cada turma, já que também é necessário considerar as diferentes necessidades dos estudantes.