Os vereadores de Londrina protocolaram o PL nº 143/2026, que cria o Programa Municipal de Combate à Obesidade e Diabetes. O texto garante que a prefeitura entregue de graça remédios modernos, como as conhecidas “canetas emagrecedoras”. O objetivo principal é ajudar os moradores que sofrem com doenças causadas pelo excesso de peso e que precisam desse suporte para recuperar a saúde.
Para receber o medicamento, o cidadão deve seguir algumas regras. O programa é focado em pessoas com obesidade grave e que já tenham outros problemas, como doenças do coração ou diabetes. Além disso, é preciso morar em Londrina há pelo menos um ano, estar cadastrado em um posto de saúde e ter em mãos um laudo médico de um especialista da rede pública confirmando a necessidade do tratamento.
A médica nutróloga Giovanna Spagnuolo Brunello, formada pela UEL e pós-graduada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o programa deve focar em pacientes com alto risco de infarto ou AVC. Segundo ela, o tratamento é fundamental para reduzir complicações graves e diminuir os custos do sistema público. "Um candidato ideal dentro de um programa público seria aquele em que o tratamento é necessário e fundamental para reduzir o risco desse tipo de complicações futuras", afirma a especialista. Ela ressalta que o uso sem indicação clínica não é inofensivo e pode causar desnutrição, perda de massa muscular e efeitos colaterais severos. "Não são medicações estéticas, são medicações que tratam doenças crônicas", reforça Giovanna.
O paciente não receberá apenas a medicação, mas passará por um acompanhamento completo. Uma equipe formada por médico, nutricionista, psicólogo e educador físico vai orientar o morador na mudança de hábitos e na alimentação. Para continuar retirando as “canetas emagrecedoras”, o paciente precisará passar por uma avaliação mensal para mostrar que está perdendo peso ou melhorando a condição clínica.
Sobre o acompanhamento mensal, a médica destaca que o sucesso do tratamento não deve ser medido apenas pelo número na balança, mas pela melhora global da saúde e dos exames do paciente. Giovanna defende que o suporte de nutricionistas, psicólogos e educadores físicos é o que garante que o resultado seja mantido a longo prazo, evitando o chamado efeito sanfona. "O acompanhamento multiprofissional e a mudança de comportamento é o que vai garantir a sustentabilidade do resultado", explica. Para a nutróloga, quando o paciente aprende a ter uma relação melhor com a comida e a praticar exercícios, ele não apenas perde peso, mas conquista uma melhora real na qualidade de vida.
A lei proíbe expressamente o uso desses remédios para fins apenas estéticos. O foco do projeto é exclusivamente o tratamento de saúde para quem realmente corre riscos devido à obesidade. O custo dessa distribuição será pago com o orçamento da própria SMS (Secretaria Municipal de Saúde).
Na justificativa do projeto, o vereador Emanoel Gomes (Republicanos) destaca que a obesidade e o diabetes são problemas graves que diminuem o tempo de vida das pessoas e aumentam os gastos dos hospitais públicos com internamentos. Segundo ele, investir no tratamento agora evita que as doenças piorem no futuro. A proposta busca garantir que o cidadão tenha acesso ao que há de mais moderno na medicina para cuidar da saúde de forma digna e igualitária.