A decisão da Comissão Europeia de vetar o Brasil da lista de países autorizados a exportar animais vivos e subprodutos, como carne bovina, frango, ovos e mel, a partir de 3 de setembro de 2026 acendeu o alerta no agronegócio. Em Londrina e região, o impacto econômico é direto, dada a forte tradição exportadora desses alimentos para o mercado comum europeu. O posicionamento foi avaliado pelo presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Marcelo El-Kadre, que classificou a medida internacional como um "protecionismo incoerente".
Segundo El-Kadre, tudo o que afeta a produção e a exportação regional impacta severamente a economia local. O dirigente aponta que a justificativa europeia, baseada em supostos descumprimentos de regras sanitárias, como o uso de medicamentos indutores de crescimento, funciona, na verdade, como um mecanismo político. "Eles estão se priorizando, talvez uma retaliação, para dificultar a entrada do nosso produto no mercado europeu", afirmou o presidente da SRP.
Apesar do cenário de tensão comercial, a SRP adota uma postura de coerência e acredita que há tempo hábil para reverter o veto antes do prazo final de setembro. O plano de ação da entidade envolve a apresentação detalhada de todos os rigorosos protocolos de atendimento e atenção que o país já adota. Além disso, uma comitiva do mercado comum europeu tem vinda prevista para o Brasil no segundo semestre de 2026 para analisar esses procedimentos técnicos e sanitários diretamente.
A confiança na reversão do bloqueio também é sustentada por lideranças nacionais do setor, como o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. Embora a adequação às novas exigências envolva trâmites burocráticos sobre o controle de antimicrobianos no rebanho, o setor produtivo avalia que o sistema de defesa agropecuária nacional é robusto.