O avanço de casos graves de surto psiquiátrico que exigiram operações policiais de grande porte no Paraná expõe a necessidade de descentralizar o atendimento a crises e reforçar os investimentos em saúde mental no país. A avaliação é da médica psiquiatra Alessandra Diehl, que defende a criação de equipes especializadas e regionalizadas para o manejo dessas ocorrências.
Segundo a especialista, a dependência do deslocamento do Bope (Batalhão de Operações Especiais), sediado em Curitiba, para atender episódios no interior do estado eleva a complexidade e os riscos das intervenções. O tempo de espera pela chegada da tropa de elite pode agravar o estado emocional do indivíduo em crise e ampliar o perigo para reféns e socorristas.
Diehl destaca que o poder público precisa equiparar o orçamento destinado à saúde mental aos recursos alocados para o tratamento de doenças crônicas como câncer e obesidade. A médica pondera que, embora a conscientização sobre o tema tenha crescido na sociedade, falta estrutura preventiva para identificar alterações comportamentais antes que elas evoluam para episódios extremos.
A psiquiatra alerta também para os fatores desencadeadores e agravantes, ressaltando que o uso de substâncias psicoativas, em especial a cocaína, amplia exponencialmente os quadros de agitação psicomotora e violência em indivíduos psicologicamente vulneráveis.
Para familiares ou testemunhas que presenciem uma pessoa em crise, Diehl orienta a adoção imediata de medidas de desescalada. A recomendação técnica é evitar o confronto físico, não tentar contê-la individualmente, manter o tom de voz baixo e conduzir a comunicação sob a lógica de uma negociação pacífica até a chegada das forças de segurança e de emergência médica.