Cidade

Queda no roubo de cargas traz alívio ao setor, mas prejuízos ainda somam R$ 1 bilhão

23 abr 2026 às 18:48

O Brasil vive um momento de retração histórica em um dos crimes que mais encarecem o custo logístico no país: o roubo de cargas. De um pico de quase 26 mil registros em 2017, o setor celebra agora uma queda acumulada de 60% em dez anos, com um recuo recente de 16% entre 2024 e 2025. Para empresários como William Zucolote, que já foi vítima desse crime no passado, as estatísticas refletem uma mudança drástica na rotina das estradas. Hoje, o transporte de mercadorias exige uma infraestrutura de monitoramento rigorosa para evitar que os produtos sejam desviados, transformando a logística em uma operação de alta precisão.


A segurança atual é ditada por dispositivos de última geração que protegem o caminhoneiro e a carga. Rastreadores, travas automáticas, sensores de desvio de rota e monitoramento em tempo real transformaram o caminhão em uma unidade blindada por dados. 


No entanto, o cenário de segurança pública ainda apresenta desigualdades regionais marcantes. Enquanto a Região Sul é um destaque positivo, concentrando apenas 3,3% das ocorrências nacionais, a Região Sudeste ainda detém a maior parte dos casos devido ao imenso volume de mercadorias e à concentração de grandes centros de distribuição.


Apesar da queda nas ocorrências, o "custo invisível" para o consumidor continua alto. O investimento pesado em tecnologia e o valor elevado das apólices de seguro são inevitavelmente repassados ao preço final dos produtos nas prateleiras. O setor de transportes ainda amarga um prejuízo anual de aproximadamente R$ 1 bilhão, somando perdas diretas e gastos com prevenção. 


Para Silvio Kaznorzei, presidente do SETCEPAR (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná), o foco das autoridades deve agora se voltar contra a receptação, combatendo quem compra a carga roubada.


Os alvos preferidos dos criminosos continuam sendo itens de fácil revenda, como alimentos e combustíveis, que são rapidamente absorvidos pelo mercado informal. Para os especialistas do setor, a solução definitiva para o problema não está apenas no policiamento das rodovias, mas em uma fiscalização rigorosa nos pontos de venda que aceitam mercadorias sem nota fiscal ou procedência. Somente asfixiando o destino final desses produtos será possível reduzir ainda mais os índices de criminalidade e, consequentemente, o custo de vida para a população brasileira.

Veja Também