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Quedas de energia preocupam produtores de peixes em Tupãssi

06 mar 2026 às 12:57

“Até quando?”. Essa é a pergunta que produtores rurais fazem quase todos os dias no distrito de Jotaesse, em Tupãssi. Eles enfrentam com frequência a insegurança provocada por cortes repentinos de energia elétrica e convivem com o medo constante de novos prejuízos.


Quando o sol começa a cair, muitos agricultores já sabem que a noite pode não ser de sono tranquilo. Durante o dia, a maioria das propriedades consegue manter as atividades com o uso de placas solares. Mas à noite, a produção passa a depender exclusivamente da energia fornecida pela Copel.


É nesse período que a preocupação aumenta. Nas propriedades que trabalham com piscicultura, equipamentos responsáveis por movimentar a água e garantir oxigenação nos tanques não podem parar. Caso o fornecimento de energia seja interrompido, os produtores precisam acionar geradores para evitar prejuízos.


O problema, segundo eles, é que as quedas de energia têm sido frequentes, principalmente durante a noite. O uso constante do gerador, além de gerar altos custos com diesel, também pode provocar danos aos motores e equipamentos.


Vizinho do produtor Adelino, Juarez também trabalha com a criação de peixes e confirma que as oscilações no fornecimento são recorrentes. Até agora, eles não registraram perdas de produção, mas dizem viver com o receio de que uma tragédia aconteça.


O temor não é sem motivo. Dias atrás, um produtor da mesma região perdeu mais de 900 mil quilos de peixes que estavam prontos para o abate depois de uma queda de energia. O prejuízo foi estimado em cerca de nove milhões de reais.


Em outra propriedade da região, um casal de agricultores também relata problemas frequentes com oscilações na rede elétrica. No local, um sistema de monitoramento indica quando a energia está funcionando normalmente ou quando ocorre interrupção. Quando a luz vermelha acende, um alarme dispara e uma mensagem é enviada diretamente para o celular do proprietário, que precisa acionar o gerador.


Segundo os produtores, recentemente o equipamento precisou funcionar por quase 24 horas seguidas, o que elevou ainda mais os gastos com combustível.


Além disso, os picos de energia também provocam danos em máquinas e equipamentos utilizados na produção. A produtora Diva guarda no celular diversos alertas de quedas de energia e faz questão de registrar cada ocorrência também em um caderno.


Em um envelope, ela mantém as notas fiscais que comprovam os gastos com troca de peças, manutenção de máquinas e serviços de mão de obra causados pelos problemas na rede elétrica. Indignada, a produtora afirma que pretende levar toda a documentação até a Copel para solicitar ressarcimento pelos prejuízos.

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