Treze dias após o susto no Jardim Santa Fé, quando um caminhão de reciclagem perdeu os freios e invadiu um mercado, o proprietário do veículo, Ronaldo (conhecido como "Fuminho"), celebrou a superação do prejuízo. Graças à mobilização da comunidade e doações recebidas após a divulgação do caso, os danos estruturais no comércio já foram reparados e o caminhão conta com recursos para o conserto da cabine e da parte mecânica. O acidente, ocorrido no último dia 12, ameaçou o sustento do grupo de recicladores independentes que utiliza o veículo diariamente. "A questão do mercado já está resolvida e logo o caminhãozinho estará na ativa", comemorou Ronaldo.
Apesar do alívio, Ronaldo e seu irmão Marcelo trouxeram à tona uma luta que já dura dois anos: a tentativa de formalizar o grupo como uma cooperativa oficial junto à CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). Os recicladores relataram que chegaram a alugar um barracão e organizar a documentação exigida, na esperança de uma contratação pelo município. No entanto, a falta de suporte para custos fixos, como aluguel e combustível, tem dificultado a manutenção dessa estrutura informal enquanto aguardam o reconhecimento oficial.
Em nota, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) esclareceu que o modelo atual de coleta seletiva em Londrina é setorizado e possui contratos vigentes com cooperativas específicas. A companhia orienta que grupos informais busquem integração a entidades já formalizadas, alegando inviabilidade financeira para contratações individuais. Entretanto, a companhia informou que um novo modelo de coleta seletiva está sendo planejado e preve a abertura de um chamamento público para o cadastramento de novas cooperativas. Até que o edital seja publicado, o grupo do Jardim Santa Fé continuará operando de forma independente.