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Relatório do Cenipa aponta sequência de falhas antes da queda do voo 2283 da Voepass

24 jul 2026 às 12:52

Quase dois anos depois da queda do voo 2283 da Voepass, o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) trouxe respostas sobre uma tragédia que matou 62 pessoas. A conclusão dos investigadores é de que o acidente poderia ter sido evitado.


Apresentado na última quarta-feira (23), em Brasília, o documento aponta uma sequência de falhas envolvendo a aeronave, decisões tomadas durante o voo, problemas de fiscalização e uma cultura interna de normalização de situações de risco dentro da companhia aérea.


Segundo o relatório, o avião decolou mesmo com previsão de formação de gelo severo na rota e já apresentava uma falha conhecida no sistema de degelo de uma das asas. O problema havia sido identificado anteriormente, mas não teria sido registrado oficialmente, o que impediu a realização do reparo.


Durante o voo, a aeronave passou a emitir alertas de perda de desempenho e baixa velocidade. Mesmo com os sinais de risco, os procedimentos previstos pelo fabricante não foram seguidos integralmente.


O documento aponta ainda que, em determinados momentos, o sistema de degelo foi desligado mesmo com novas indicações de formação de gelo. A tripulação também não declarou emergência e não solicitou autorização para descer e deixar a área onde as condições meteorológicas eram mais críticas.


Com o acúmulo de gelo, a aeronave perdeu velocidade e sustentação, entrando em uma condição de perda de controle. Na tentativa de recuperação, os comandos aplicados pelos pilotos foram diferentes dos procedimentos previstos em treinamento.


Outro ponto citado pelos investigadores foram conversas pessoais entre os pilotos durante o voo. Segundo o Cenipa, a comunicação teria desviado a atenção da cabine em um momento considerado crítico. O apontamento, porém, foi contestado por colegas dos profissionais envolvidos, que consideraram a interpretação inadequada.


O relatório também destaca problemas relacionados à cultura de segurança operacional da empresa. Segundo a investigação, falhas e panes deixavam de ser registradas para permitir que aeronaves continuassem em operação, uma prática classificada como um risco grave.


A análise do Cenipa também apontou falhas na atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Para os investigadores, a fiscalização apresentou fragilidades e não conseguiu impedir que a companhia seguisse operando diante de sinais de problemas na segurança operacional.


Ao todo, o relatório apresenta 39 conclusões e cinco recomendações com medidas para evitar que acidentes semelhantes voltem a acontecer.


Em nota, a Voepass afirmou que a queda do voo 2283 foi o episódio mais difícil da história da empresa. A companhia declarou que sempre atuou seguindo padrões internacionais de segurança, destacou a experiência da tripulação e afirmou que continua colaborando com as autoridades.


A Anac informou que vai analisar as conclusões e recomendações do Cenipa dentro do prazo de até 120 dias. Já o inquérito conduzido pela Polícia Federal tem previsão de conclusão em agosto.


Quase dois anos após a queda, o relatório ajuda a reconstruir os últimos momentos do voo e aponta como uma série de falhas se acumulou até provocar a morte de 62 pessoas. Para as famílias das vítimas, porém, permanece a pergunta mais dolorosa: por que tantos problemas aconteceram antes que fosse possível evitar a tragédia?

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