Aquilo que muita gente descarta após o consumo do peixe pode ganhar um novo destino, e até ajudar nos cuidados com a pele. Pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) estão transformando pele e escamas de tilápia em colágeno hidrolisado.
O trabalho é desenvolvido no curso de Engenharia Química por meio do Hub de Inovação AgriTech Symbiosis. A pesquisa surgiu a partir da demanda de uma empresa dinamarquesa e busca desenvolver rotas tecnológicas capazes de aproveitar resíduos do processamento do peixe para gerar um produto de maior valor agregado.
Hoje, apenas entre 30% e 40% do peso vivo da tilápia é aproveitado para alimentação humana. Pele e escamas acabam classificadas como subprodutos de baixo valor comercial. Com o estudo, esses materiais passam por processos químicos controlados até se transformarem em colágeno, composto amplamente utilizado nas áreas cosmética e farmacêutica.
Um reator em miniatura demonstra parte dessa transformação dentro do laboratório. A equipe envolvida destaca que o material pode ter diversas aplicações e futuramente chegar ao mercado, além de reduzir desperdícios e ampliar a sustentabilidade da cadeia produtiva do pescado.
Para fortalecer iniciativas como essa, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior anunciou durante o Show Rural a liberação de mais de R$ 11 milhões para a construção de um novo prédio do Hub no campus da Unioeste em Toledo. O espaço será voltado ao atendimento de demandas do setor produtivo e ao desenvolvimento, otimização e escalonamento de processos industriais.