A conta é direta e o prejuízo bilionário. Enquanto a carga tributária sobre o cigarro no Brasil pode chegar a 90%, no Paraguai ela gira em torno de 13%. Essa diferença faz com que o produto ilegal atravesse a fronteira custando quase metade do preço, criando um cenário favorável ao contrabando.
O resultado é sentido principalmente no Paraná, que se consolidou como a principal porta de entrada de cigarros ilegais no Brasil. A proximidade com o Paraguai e a extensa malha rodoviária facilitam a distribuição da mercadoria para diferentes regiões do país.
As cargas entram, em grande parte, por áreas de fronteira como Foz do Iguaçu e seguem por rodovias estratégicas, abastecendo centros urbanos e ampliando a atuação de organizações criminosas.
Além da concorrência desleal com o mercado legal, o impacto também atinge diretamente os cofres públicos. A evasão fiscal provocada pelo contrabando representa perda de bilhões em arrecadação todos os anos.
As forças de segurança intensificam operações de fiscalização e apreensão, mas enfrentam um desafio constante: o volume elevado de mercadorias ilegais e a estrutura organizada das quadrilhas envolvidas.
Especialistas apontam que, enquanto a diferença de preços continuar tão expressiva entre os dois países, o contrabando seguirá sendo um negócio lucrativo, e difícil de conter.