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“Se eu soubesse, teria agarrado ela", diz mãe de jovem morta na zona leste

30 set 2026 às 11:54

Os pais de Thaissa, jovem morta enquanto trabalhava em uma academia na Zona Leste de Londrina, conversaram com a Tarobá nesta quarta-feira (30) e relataram a dor da família após a perda da filha.


A jovem foi morta a golpes de faca no dia 8 de setembro, enquanto fazia a divulgação de uma academia que estava em fase de inauguração. A atividade fazia parte do trabalho dela e consistia em apresentar o estabelecimento a possíveis novos clientes.


“Se eu soubesse que isso ia acontecer, teria agarrado ela e não deixado ela sair de casa”, afirmou a mãe, Neusa Longhini, ao lembrar do dia do crime.


Mãe contou conversa com a filha


Neusa contou que, na quarta-feira anterior ao crime, Thaissa havia comentado sobre o suspeito, Gabriel de Andrade, que estaria tentando conseguir uma oportunidade de trabalho na academia.


Segundo a mãe, a filha estava tranquila porque ele não havia sido contratado. Thaissa teria dito que, caso ele passasse a trabalhar no local, ela não continuaria na academia.


Na sexta-feira, dia 8, a jovem estava fazendo panfletagem para divulgar o estabelecimento quando foi surpreendida e morta a golpes de faca.


Gabriel de Andrade foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça.


“Ela era minha companheira”


O pai de Thaissa, Edvaldo Marques, contou que a rotina da família mudou completamente após a morte da filha.


“Nossa vida mudou, ficou bem diferente. Ela chegava em casa, quando ela chegava, o que ela aprendia na faculdade, ela ensinava para nós”, relatou.


Thaissa cursava Nutrição e, segundo os pais, também ajudava financeiramente nas despesas da casa.

“Ela era minha companheira”, afirmou Edvaldo.


O pai contou ainda que ele e a esposa têm recorrido a medicamentos para conseguir enfrentar o período após a morte da filha.


“A vida acabou. Eu não consigo comer direito mais”, disse.


A família também pensa em vender a casa onde morava com Thaissa. Segundo os pais, o imóvel ficou silencioso após a morte da jovem.



Segundo a família, a empresa não entrou em contato diretamente com os parentes para prestar apoio após a morte. “Eles não estão se importando nem um pouquinho com a nossa dor”, afirmou a mãe.


A academia se manifestou por meio de uma nota enviada à imprensa no dia 14 de setembro.

No comunicado, a Smart Fit afirmou: “A Smart Fit lamenta profundamente o ocorrido. A companhia se solidariza com os familiares e amigos da vítima e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.”



A Polícia Civil do Paraná (PCPR) apontou que a morte de Thaissa Marques, de 21 anos, foi um crime premeditado.


Em entrevista coletiva na Delegacia da Mulher de Londrina, a delegada Carla Gomes informou que Gabriel de Andrade esteve na academia três dias antes do ataque, sob o pretexto de conhecer a estrutura do estabelecimento. Segundo a investigação, ele teria aproveitado a visita para observar o local.


Ainda conforme a polícia, no dia do crime, o acusado levou consigo uma faca e uma corda que não pertenciam à academia.


Durante a investigação, foram analisadas imagens de câmeras de segurança do entorno e colhidos depoimentos de testemunhas e policiais que atenderam a ocorrência.


Os celulares da vítima e do acusado foram apreendidos e encaminhados ao Departamento de Inteligência do Estado do Paraná (DIE) para extração de dados e análise de possíveis grupos extremistas.


A defesa de Gabriel apresentou um laudo de transtorno do espectro autista, datado de 2017. A Polícia Civil ressaltou, porém, que a avaliação sobre eventual imputabilidade penal deverá ser feita por uma junta médica vinculada ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR).


Além das investigações relacionadas ao feminicídio e à tentativa de estupro, Gabriel é alvo de um novo inquérito sobre uma suposta invasão domiciliar, denunciada por duas mulheres após a prisão preventiva dele.


O suspeito segue custodiado pelo Departamento de Polícia Penal do Paraná (DEPPEN) e aguarda o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público do Paraná (MPPR). O caso deverá ser submetido ao Tribunal do Júri.


Defesa da família avalia novas acusações

Os advogados que representam a família de Thaissa afirmam que a Polícia Civil concluiu o inquérito com o reconhecimento do feminicídio, da tentativa de estupro e de circunstâncias relacionadas ao meio cruel e ao recurso que teria dificultado a defesa da vítima.


Segundo a defesa da família, o Ministério Público também sustentou, na denúncia, que o feminicídio teria sido praticado com a finalidade de assegurar a ocultação ou a impunidade de outro crime, no caso, a tentativa de estupro.


Os advogados informaram ainda que, na condição de assistentes de acusação, analisam a possibilidade de pedir a inclusão de uma imputação autônoma pelo crime de ocultação de cadáver, previsto no artigo 211 do Código Penal.


A defesa afirma que imagens das câmeras de segurança e um relatório cronológico elaborado pela investigação podem ajudar a reconstruir a movimentação de Gabriel antes, durante e depois do crime.


Um dos pontos citados pelos advogados é o fato de a porta da academia permanecer habitualmente aberta para permitir a apresentação do espaço a possíveis clientes. Segundo a defesa da família, após os acontecimentos, a porta teria sido fechada.


Para os advogados, será necessário verificar, com base nas provas, se o fechamento da porta e outras ações posteriores à morte tiveram como finalidade esconder o corpo e dificultar sua localização.


A defesa de Gabriel de Andrade manifestou solidariedade à família de Thaissa e afirmou que o caso deve ser analisado com base nas provas produzidas durante o processo.


Os advogados disseram que não pretendem fazer acusações contra agentes públicos e defenderam que as declarações atribuídas ao acusado sejam analisadas considerando o contexto em que foram obtidas e sua eventual confirmação por outros elementos.


A defesa também afirmou haver referência, em depoimento de testemunha, à presença de uma terceira pessoa no local e pediu que essa informação seja esclarecida e investigada, sem apontar essa pessoa como autora de crime.


Sobre o diagnóstico de condição neurodivergente apresentado pela defesa, os advogados afirmaram que o documento não é utilizado como justificativa ou como prova automática de inocência, mas como uma circunstância que, segundo eles, deve ser considerada na análise da comunicação do acusado e do contexto em que eventuais declarações foram obtidas.


A defesa também questiona eventuais afirmações sobre falsidade de laudo e sustenta que qualificadoras, agravantes e a própria tipificação do crime devem ser analisadas no processo, com base nas provas.

Sobre a tentativa de estupro, os advogados informaram que aguardam a conclusão do laudo pericial para avaliar tecnicamente os elementos relacionados ao possível crime de natureza sexual.


A defesa concluiu afirmando que respeita a gravidade do caso e a dor dos familiares, mas sustenta que a definição das responsabilidades deve ocorrer a partir das provas produzidas no processo.

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