Uma inovação que une ciência e bem-estar animal chamou a atenção no Pavilhão Smart Agro durante a ExpoLondrina. A empresária e pesquisadora da UEL, Ana Paula de Souza Cruz, apresentou um método inédito de aromaterapia com óleos essenciais focado no manejo de grandes animais, como vacas leiteiras. A ideia surgiu após uma demanda dos próprios produtores rurais em edições anteriores do evento e evoluiu para um estudo científico rigoroso dentro da Fazenda Escola da universidade, gerando resultados que prometem revolucionar o dia a dia no campo.
As análises laboratoriais realizadas durante 40 dias de testes mostraram que o uso de blends de plantas não serve apenas para relaxar o rebanho. Segundo a pesquisadora das startups Natu.me e EcoBEA, os animais que passaram pelo tratamento apresentaram melhorias reais na imunidade, nos sólidos totais e até na gordura do leite. O estudo comprovou que, ao reduzir o estresse durante processos como o transporte e a inseminação, o sistema nutricional do animal responde melhor, refletindo diretamente na produtividade e na qualidade do produto final que chega à mesa do consumidor.
O grande segredo da tecnologia está na via inalatória. Diferente de outros métodos, os óleos de lavanda, cravo e orégano não são ingeridos nem aplicados na pele, o que evita riscos de toxicidade. As substâncias entram na corrente sanguínea através da respiração, com dosagens ajustadas quimicamente para o porte e peso dos bichos. A prática já é reconhecida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) como uma terapia complementar, seguindo a mesma linha de tratamentos conhecidos, como a homeopatia e a acupuntura veterinária.
Com o pedido de patente protocolado, o projeto agora entra em uma fase final de validação em um rebanho de 90 vacas. A expectativa é que a solução esteja disponível para os produtores de todo o Brasil até o segundo semestre de 2026. Para o setor, a novidade representa um avanço importante na busca por uma pecuária mais sustentável e humanizada, provando que o cuidado com o bem-estar animal é um dos caminhos mais curtos para aumentar a rentabilidade e a eficiência no agronegócio regional.