O avanço do chamado Super El Niño tem mobilizado especialistas e autoridades diante da possibilidade de impactos mais intensos no clima nos próximos meses. Em entrevista, o físico e doutor em meteorologia Jorge Alberto, professor da UTFPR, explicou que o fenômeno ainda está em fase de transição, mas já apresenta sinais de fortalecimento devido ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico, condição que influencia a circulação atmosférica em diversas regiões do planeta.
Segundo o pesquisador, a expectativa é de que os efeitos sejam sentidos com mais intensidade a partir da primavera, com maior probabilidade de chuvas acima da média e ocorrência de eventos climáticos extremos no Sul do Brasil. O especialista destaca que um planeta mais quente concentra mais energia no sistema climático, aumentando a intensidade de fenômenos como tempestades, granizo, tornados e precipitações volumosas.
Ao relembrar episódios registrados no Paraná, Jorge citou o evento extremo ocorrido em Londrina em 2016, que provocou prejuízos à infraestrutura, comunidades isoladas e danos em rodovias, pontes, escolas e hospitais. Para ele, embora não seja possível evitar fenômenos naturais, é fundamental investir em prevenção, mapeamento de áreas de risco e planos de contingência para proteger a população mais vulnerável.
O professor também ressaltou que a experiência recente das enchentes no Rio Grande do Sul serve de alerta para todo o país. De acordo com ele, a tendência é de que os eventos extremos se tornem mais frequentes e intensos nas próximas décadas. “Diante da incerteza, o melhor caminho é a precaução”, afirmou, defendendo o fortalecimento das ações de monitoramento e preparação por parte do poder público.